SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 23 Junho 2021, 16:03

A E.R. 361 entre Amiais de Cima e Alcanena

Tenho sérias dúvidas em classificar a aberração que são os últimos seis quilómetros daquela estrada nacional e a teimosia de quem deveria ser responsabilizado pelo estado a que aquela via chegou e que nunca mais é reparada.

A tal estrada começa em Parceiros de S. João e termina em Rio Maior.

Ao longo dos anos a mesma serviu sempre para todas as manobras políticas.

Aliás, já o antigo Jornal “O Alviela” de Alcanena, suspenso, infelizmente há anos, na sua edição de 8 de maio de 1954 escrevia: “Está em curso e bastante adeantada a reparação da estrada nacional de Parceiros de S. João a Rio Maior, melhoramente este há muito desejado pelo aumento de trânsito que ùltimamente tem aumentado em grande escala.”

Veja-se bem. Já lá vão mais de 60 anos e nem a antiga Junta Autónoma das Estradas, nem os organismos seus sucessores, conseguiram, ou quiseram, acabar aquela obra. Faltam meia dúzia de quilómetros e agora, pomposamente, as EP anunciam que a obra que falta, em princípio, está calendarizada para 2017 e o seu custo está orçado em 2.800.000 Euros. Até nesta coisa do preço, parece que o mesmo serve de justificação para tanto desprezo. Urge pois perguntar onde é que se vão gastar 2,8 Milhões de euros se aquele troço não tem obras de arte a construir, mas só requalificar o pavimento e as valetas e cortar duas curvas junto a Monsanto. Mas, sublinhe-se, o mesmo anúncio informa que a reabilitação da ER 362, entre Alcanede e Santarém, muito mais de 20 quilómetros, o orçamento é de 2 Milhões de euros e também a ser lançada em 2017. Comparando os dois orçamentos, algo parece não estar bem. Mas adiante porque o que nos interessa é a reparação da vergonha que é a ER 361.

A reabilitação do primeiro troço desta ER 361, entre Rio Maior e Alcanede foi feita há mais de 10 anos e entretanto a obra parou ali naquela Vila do concelho de Santarém. Mas as pessoas da terra e principalmente o “Portal de Alcanede” juntaram-se e criaram o Movimento Cívico para a reabilitação da Estrada. Com movimentações, manifestações e abaixo assinados conseguiram que a obra arrancasse em 2010. E em 2012 já estavam feitas as obras até Amiais de Cima.

Nessa altura, o “Portal de Alcanede” poderia ter saído de cena já que a obra no concelho de Santarém estava feita. Mas não. No primeiro dia da Campanha eleitoral para as autárquicas, convocou para Amiais de Cima, todos os candidatos de todos os partidos e movimentos dos concelhos de Santarém e de Alcanena, para que ali, em público, todos dissessem de seu direito o que lhes ia na alma acerca daquela aberração e quais os seus projectos para que a recuperação da estrada fosse feita em breve. Na generalidade todos os candidatos, especialmente os cabeças de listas deram as suas opiniões e de alguma forma comprometeram-se para, em conjunto, trabalharem no sentido da obra ser acabada, como as populações e a economia regional merecem. Mas os resultados estão à vista. Tudo adiado para as calendas gregas. Talvez, sim talvez, lá para 2017. Mas ainda falta o estudo de impacte ambiental para que as duas curvas possam ser cortadas. São exigências próprias devido ao facto de parte do troço estar em pleno Parque Natural das Serra de Aire e Candeeiros. Compreende-se. Mas não se compreende o tempo decorrido, anos e anos, sem que o tal estudo esteja feito. E já agora, se para cortar duas curvas é preciso o tal estudo, é caso para perguntar se ninguém com responsabilidade viu o nascimento de vários eucaliptais naquela zona que têm crescido como crescem todos os eucaliptais. Só que no Parque essa espécie invasora está ali a mais. É a minha opinião. E ninguém viu ou vê esse eucaliptal imenso?

Por outro lado, se as autarquias interessadas tivessem agarrado o problema que também é seu, porque é dos seus munícipes, e não só, e o defendessem junto dos governos, com unhas e dentes, como se costuma dizer, quero crer que o problema há muito estaria resolvido. Se as autarquias tivessem sabido mobilizar as populações como o Movimento Cívico de Alcanede fez, tudo seria diferente. Assim é que ninguém sabe quando é que a obra arranca, quanto mais quando é que acaba. E quem por lá passa é que sabe quanto a sua carteira sofre com as reparações das viaturas.

Os responsáveis por todos os adiamentos que se têm sucedido ao longo dos anos para que a obra não andasse, não podem ser chamados à responsabilidade? Não sei. Mas a culpa não deve morrer sempre solteira.

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