SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 15 Junho 2021, 20:29

Começaram os saldos! Carne do lombo ao preço da uva mijona!

O primeiro fim-de-semana de Agosto ditou a sentença de morte do BES. O Conselho de Ministros terá reunido por teleconferência, aprovou legislação que permitiu ao Governador do Banco de Portugal tomar a resolução de acabar com o BES, criar um Banco Novo e um Banco Mau, tudo sancionado, também por teleconferência, pensa-se que a partir do Algarve, e outros locais de férias, já que o primeiro-ministro estava a gozá-las na Manta Rota e o Presidente da República na sua quinta na Coelha. E tudo publicado no DR com data desse Domingo.

Até pouco tempo antes, o BES era um banco acima de qualquer suspeita, até porque foi o único dos bancos de certa dimensão que entendeu não recorrer à linha de crédito da troika para a sua recapitalização, porque não precisava segundo propagandeou na altura.

Nos chamados “mentideros”, já havia algumas conversas acerca do Grupo BES, mas mesmo nesses locais, geralmente bem informados, o Banco estava bem obrigado.

Fez um aumento de capital e todos os mais altos responsáveis da matéria sempre disseram que o Grupo era uma coisa mas o BES estava acima do Grupo e estava muito bem. Só que os pequenos aforradores que foram nessas palavras bonitas é que ficaram a arder e perderam, em muitos casos, a economia das suas vidas. Mas isso ainda há-de fazer gastar muita tinta.

O mal foi o seu prejuízo apresentado no dia 30 de Julho, com números nunca antes imaginados. No primeiro semestre, o prejuízo apresentado foi de 3.577.000 €uros. Pasme-se.

Por tudo isto o Banco de Portugal, pela voz do seu Governador, na noite de Domingo 3 de Agosto, tomou a resolução de acabar com o BES e criar o tal Banco Novo com um capital de 4.900.000 €uros subscrito parcialmente pelo Fundo de Resolução, constituído pelos Bancos Portugueses, mas maioritariamente suportado pela linha de crédito da Troika. Foi uma conversa longa, pouco convincente e mesmo assim incompleta já que foi “esquecido” um empréstimo urgente de 3.500.000 €uros, na 6ª feira anterior quando o Banco Central Europeu tirou o “tapete” ao BES. E a solução foi então o Banco de Portugal injectar no BES, de imediato os tais três milhões e quinhentos mil euros de que só se falou à posterior quando se conheceu uma Acta que estava no segredo dos deuses. Foi uma nacionalização diferente de outras que já tínhamos visto, mas foi uma nacionalização.

Pronto. Daí para cá foi o desenrolar dum romance que já vinha de longe e dia a dia vão-se sabendo novidades.

E as últimas são as promessas de venda das chamadas jóias da coroa, a carne do lombo, como são a Companhia de Seguros Tranquilidade, a Espírito Santo Saúde, os Hotéis Tivoli, a Espírito Santo Viagens e a sua marca Top Atlântico, a Comporta, a Esegur e tantas outras que faziam parte do Grupo e que não se terão apresentado à insolvência.

Mas a Tranquilidade essa parece que já estará entregue aos americanos da Apollo por valores muitíssimo abaixo do seu valor real. Os jornais chegaram a dizer que a seguradora estaria avaliada em 750 Milhões. Depois falou-se em 500 e ultimamente parece que é muito menos. Segundo o Observador de 23,08.14, “está quase tudo fechado para que a gestora de activos norte-americana Apollo compre a Tranquilidade. Segundo o Jornal de Negócios desta sexta-feira, o preço final ficará nos 50 milhões de euros.” E mais à frente o mesmo Observador diz que “a avaliação da seguradora ficou nos 220 milhões de euros, abaixo dos 300 milhões que valeria de acordo com a dimensão do mercado, mas a Apollo não vai assumir os créditos da empresa sobre a Rio Forte, holding do Grupo Espírito santo (GES), fazendo reduzir o valor final do negócio.”

Mas as trapalhadas não ficam por aqui. Segundo o “I” de 23.08, os americanos da Apollo também estão interessados no Novo Banco. Porquê? Porque lhes cheira a negócio. Muito mais se há-de vir a saber, se é que nos vêm a contar tudo, o que duvidamos já que o romance do BPN ainda dura, do Banif pouco se sabe e dos outros nem pouco mais ou menos.

Como diz Fernanda Madrinha na sua coluna SEM RESERVAS e com o título “Sem emenda” no jornal “I” de 23 de Agosto, e passo a transcrever:  “Os “Anjos” com uma OPA ao Espírito Santo (Saúde), esta ironia, só podia mesmo acontecer-nos a nós. Já estamos por tudo. Chineses, mexicanos, brasileiros, angolanos, ou franceses compram tudo o que há para comprar. Somos a Feira da Ladra do investimento estrangeiro.”

Temos portanto mais uma trapalhada das antigas, onde as entidades reguladoras não regularam nada, e agora começam as vendas da carne do lombo a preços que parecem de saldo, ou da uva mijona como diz o povo na sua sabedoria. E ninguém é responsabilizado.

Estranha-se, ou talvez não, que a única entidade que tem falado acerca desta situação tenha sido o Governador do Banco de Portugal. Mas, como diz a Fernanda Madrinha, somos a Feira da Ladra do investimento estrangeiro e, acrescento eu, tudo feito com toda a tranquilidade, certamente ainda com a bênção do nome do antigo (?) DDT – Dono disto tudo. Por agora, que dizer mais? Nada.

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