SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 15 Junho 2021, 17:14

O DDT e outras histórias da Nau Catrineta

Era uma vez… e as histórias começavam sempre assim. Mas esta semana a história do DDT – Dono disto tudo – não confundir com o outro DDT, o pó que havia antigamente à venda nas farmácias, ele a sua salgada família, saltaram para a maior parte dos jornais e o escândalo começou a rebentar se bem que não se possa prever como e quando irá acabar. As suas acções em menos de uma semana caíram 50%, ou mais, mas as de outras empresas muito amigas, algumas até em negócios internacionais, estão a levar o mesmo caminho e, vejam bem, até outras bolsas estrangeiras levaram os seus tombos o que de algum modo pode dar a entender que o buraco pode ser muito maior do que muita gente imaginava e abranger vários mercados.

Aliás, as questões levantadas pelo insuspeito colunista Pedro Marques Lopes, no DN de 13.07.14, são mais que elucidativas: “Há uma pergunta que vem inevitavelmente à conversa quando se fala da queda do Grupo Espírito Santo: como foi possível ter-se chegado a este ponto sem que ninguém se tivesse apercebido de nada? Ninguém, claro está, que não os autores da desastrosa gestão ou possíveis actos ilegais. Como diabo empresas com enorme relevância pública, com donos que privam com primeiros-ministros e presidentes da República, com centenas de gestores qualificados, com dezenas de ex-ministros e secretários de Estado nos seus quadros, teoricamente observadas por técnicos altamente qualificados, auditadas por gigantescas multinacionais, com contas publicadas, algumas mesmo reguladas por entidades que se dedicam exclusivamente à supervisão de determinadas actividades, chegam a um ponto em que há uma espécie de implosão repentina, como se tudo estivesse bem à noite e desfeito de manhã?

Temos portanto mais uma trapalhada à vista que, apesar de nos dizerem que prejuízos privados serão suportados pelos privados, mas como estamos escaldados, até de água fria temos medo, como acontece com os gatos. Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos.

Outra história de encantar, não tanto estanha como a anterior porque desde 2008 se adivinhava que o negócio de 50 Milhões de Euros da construção do navio Atlântida, encomendado pela empresa pública Atlanticoline à empresa pública Estaleiros Navais de Viana do Castelo, não ia correr bem. E não correu. As duas empresas públicas desentenderam-se, acusaram-se mutuamente e o navio foi recentemente vendido, a preço de saldo, em concurso internacional, para não continuar a dar mais prejuízos por estar parado. Não se sabe bem quanto é que os gregos ofereceram mas parece que foi pouco mais de uma dezena de milhar de euros. Portanto, um negócio ruinoso para as contas do país, gerado entre duas empresas públicas, sendo que uma está em fase de liquidação e a outra lá vai navegando com barcos fretados.

Mas há mais casos que temos que classificar de “exemplares”. Por exemplo a TAP que era uma boa companhia de aviação, não cumpre horários habitualmente e até há dias, uma avião a sair de Lisboa para o Brasil, logo em Camarate, começou a deixar cair peças pelo que teve que voltar à Portela, depois de ir descarregar à pressa muitos milhares de combustível, para não acontecer uma desgraça maior.

Mas os comboios também são do melhor. A Linha da Beira Alta, de vez em quando lá fica cortada devido a descarrilamentos de comboios de mercadorias. Mas na 6ª feira passada fui testemunha na Linha do Norte. Um Intercidades, assim pomposamente baptizado, veio às escuras, sem som e sem revisor, de Coimbra até ao Entroncamento.

Com exemplos destes, com as culpas a morrerem sempre solteiras, como é que a Nau Catrineta pode alguma vez chegar a bom porto se nem o futebol nos ajudou? Ou será que “isto” tudo é mesmo para desmantelar e ser vendido a alguém com a face mais ou menos oculta, por ordem de algum mercado também oculto?

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