SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 14 Junho 2021, 18:10

Estamos em Setembro de 2013

E lembramo-nos, e eles também se lembram, que em 2012, em Setembro, Outubro e Novembro as ruas mostraram claramente que o povo estava contra a TSU que eles queriam baixar ao patronato e aumentar aos trabalhadores. Todos estiveram contra, até as confederações patronais. Por isso foram obrigados a meter a viola no saco.

Recuaram mas não desistiram. O Orçamento de 2013 foi violento e as marcas e os resultados estão à vista. Até inventaram um Complemento Extraordinário de Solidariedade para os reformados pagarem e assim ficarem com menos dinheiro.

Agora querem cortar ainda mais nas reformas, despedir milhares de funcionários públicos chamando a esta manobra, hipocritamente, “requalificação”. Mas requalificar o quê se é o olho da rua que lhes estão a apontar?

Entretanto deram, de mão beijada, a preço de saldo, jóias da coroa como eram a EDP, a REN, a ANA e já preparam a entrega dos CTT por meia dúzia de tostões. A TAP está na calha, como também está a Linha de Cascais, os Estaleiros de Viana do Castelo, a Água, vejam bem a Água, e agora até já se fala que vão privatizar o Mar, sim o Mar, para ser explorado em todos os sentidos, começando pela pesca, pelos amigos privados da coisa pública.

Venderam tudo isso, receberam também milhares de milhões de Fundos de Pensões e o resultado foi que a divida, o défice, o desemprego e a recessão aumentaram sempre. Então para onde foi o dinheiro?

Acabar com a economia paralela, combater as grandes fugas fiscais, renegociar as PPP, as rendas energéticas, os swaps, a divida pública e tudo o mais onde o estado poderia e deveria poupar milhares de milhões, como por exemplo recuperar o que roubaram do BPN, isso não lhes interessa porque os amigos são assim.

As medidas austeritárias falharam. Até o Gaspar deu o braço a torcer e declarou na sua carta que afinal se tinha enganado. Falharam em tudo e agora querem que sejam os reformados e os funcionários públicos a pagar as asneiras. Querem continuar a ser “bons alunos” e querem continuar a destruição. Fiam-se nas exportações, que de facto merecem algum relevo dada a força de alguns empresários e de muitos trabalhadores. Mas se amanhã, a “professora” mandar encerrar a fábrica de Palmela e mudá-la para a China, para onde é que vão cair as exportações? Pensam que isso não será possível? Estão perfeitamente enganados. Até porque, quando a “professora” manda, os “bons alunos” obedecem.

De resto, que dizer mais? A saúde cada vez está mais periclitante. Faltam serviços de urgência capazes de cumprir as suas missões e não é por acaso que até na Grande Lisboa já há urgências centrais a fechar à noite e aos fins-de-semana. Faltam medicamentos em alguns hospitais. Mas está tudo bem, segundo eles. Aqui no Ribatejo se alguém tiver um problema urgente do foro psiquiátrico, oftalmológico ou de otorrinolaringologia, para além de muitas outras especialidades, se cair num hospital da região é logo recambiado para Lisboa onde vai ser visto quando calhar.

E na educação? Como é que o ano escolar pode vir a correr bem se a confusão está mais que instalada. Para confundir ainda mais, já têm o cheque ensino para fomentar e beneficiar os colégios privados a quem um dia, se isto não levar uma volta, também irão dar de mão beijada os melhores edifícios da escola pública. Estão mesmo a fomentar o apartheid no ensino público. Não tenhamos dúvidas.

Não é possível que nos obriguem a aguentar mais agressões à dignidade humana.

Não podemos aceitar o desfalque nas reformas, a ameaça de despedimento e a destruição de tantos e tantos postos de trabalho, especialmente, desta vez, na saúde, na educação e na generalidade da função pública.

Indignamo-nos com o encerramento das Juntas de Freguesia, das extensões de saúde e da segurança social, das estações de correios, das linhas de caminho de ferro e agora os Tribunais e as Repartições de Finanças vão seguir o mesmo caminho, para complicar o acesso aos Tribunais e à justiça fiscal aos mais desfavorecidos, como é costume.

As SCUTS todos os dias assaltam as carteiras de quem é obrigado a passar por lá. Cada quilómetro numa SCUT custa perto do dobro do quilómetro na A1. Porquê? Os utentes da A1 são de primeira e os das SCUTS são de terceira?

Vão-se esquecendo de falar nos grandes aumentos do IMI que aí virão, quando perto de metade do país está isento desse imposto. Mas os isentos, são os grandes do costume. Por isso os pequenos têm que pagar a sua factura e a dos outros.

Também se estão a esquecer do aumento das rendas de casa. Mas em 2014, se nada for feito em contrário, eles vão atacar de novo não se importando que muita gente vá viver para debaixo da ponte e que o pequeno comércio encerre e aumente o desemprego.

Ainda estamos em Setembro e já se notam movimentos na forja. Ainda se podem acertar algumas contas, quanto mais não seja no dia 29.

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