SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 16 Junho 2021, 02:46

O Alviela e a ETAR de Alcanena de novo nos jornais

Na semana que passou, segundo vários jornais, o Autarca de Vaqueiros denunciou mais uma descarga de poluição no Alviela, segundo consta, devido a uma avaria acontecida na ETAR de Alcanena.

De acordo com a comunicação social, devido à tal descarga poluente, aconteceu mais uma mortandade de peixes naquele rio que há muitos anos era um rio limpo.

Devido a mais este crime ambiental, e certamente a fim de o denunciar junto das mais elevadas instâncias, a direcção nacional do Partido Ecologista “Os Verdes” visitou a freguesia de Vaqueiros para constatar, no próprio local, os efeitos nefastos de tal descarga que terá acontecido no fim-de-semana anterior, devido à tal avaria. Mas foi pena que esta delegação não tivesse tido oportunidade de subir um pouco mais o rio e, pelo menos ir até à ETAR, para também poder verificar “in loco” o seu funcionamento actual, as maravilhosas imagens daquelas margens negras e apreciar o “perfume” que dali sai e que envolve tudo à sua volta. Teria sido interessante, mas dado que o problema não tem solução a curto prazo, pode e deve aquele partido e todos os outros que quiserem abraçar a causa da defesa do ambiente, e especialmente a defesa do rio Alviela, unirem-se e voltarem ou virem ao terreno para se compenetrarem da calamidade que por ali passa todos os dias. Mas não deixa de ser lamentável que este e todos os outros partidos com assento parlamentar não tivessem denunciado vincadamente, a tempo, a falta de cumprimento do protocolo assinado em Junho de 2009 onde tudo parecia estar assegurado com vista à despoluição do rio Alviela.

Vimos imagens do Grupo a recolher alguns peixes ainda vivos e a transferi-los para locais ainda limpos. Mas não sabemos se aproveitaram para levar alguns garrafões daquela porcaria para distribuírem pelos vários Grupos Parlamentares da Assembleia, para não virem dizer que não sabiam que o Alviela estava naquele estado. Aliás, no tempo de antigamente, quando a poluição começou a tomar conta do rio, havia um senhor em Pernes, o “Diabo”, que, para além de muito ter lutado pela despoluição do Alviela e para isso criado a CLAPA – Comissão de Luta Anti-Poluição do Alviela, de vez em quando fazia a sua distribuição dos líquidos putrefactos pelos poderes de Lisboa e devido a essa luta é que a ETAR foi construída. Mas agora é diferente. Até a cascata do Mouchão de Pernes está para arranjar e consolidar desde as cheias de 2009 e as pessoas vão-se calando.

A talho de foice, também se tem que dizer que é estranho que a Câmara de Alcanena, subscritora do protocolo assinado com o governo, mas também co-responsável, como administradora do sistema, pelo estado a que chegou a rede de condutas dos esgotos industriais e da própria ETAR, não tenha em devido tempo denunciado publicamente o incumprimento, por parte do Governo, do protocolo assinado que, em boa verdade, se tivesse sido concretizado como os calendários anunciavam, tudo estaria resolvido para bem de todos.

Claro que Alcanena tem estado mais ou menos calada, por razões que a razão desconhece, mas estou certo e convicto que se o jornal “O Alviela”, encerrado há perto de três anos, estivesse a funcionar normalmente, muitas das queixas de toda esta situação, teriam ali sido denunciadas e a sua leitura não seria agradável para quem tem responsabilidades na matéria. Talvez se tivessem tomado algumas medidas. Quem sabe?

Neste período alargado, a Câmara de Santarém, em Julho de 2010, está agora a fazer três anos, numa operação mediática, juntou várias entidades no seu Salão Nobre para que fosse feito o ponto de situação do “Protocolo para reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena”. Na altura já achámos estranho que tal sessão tivesse decorrido em Santarém, quando mais de 90% das obras estão localizadas no concelho de Alcanena, pois só a reabilitação das Quedas de Água do Mouchão Parque em Pernes, é que decorre no concelho de Santarém, nunca se tendo até sabido a razão da sua inclusão no Protocolo de Alcanena.

Passados estes três anos os resultados são iguais a zero. Aliás, sou levado a duvidar que todos os projectos que fazem parte do “Protocolo” já estejam elaborados e quanto ao financiamento que possa garantir a obra, o segredo ainda será maior pelo que, se não houver uma cabeça bem pensante, que agarre o problema com unhas e dentes, bem podemos esperar, sentados, pela resolução desta calamidade que se arrasta há décadas e deveria fazer corar os responsáveis que dizem defender o ambiente.

A terminar este artigo, e para se poder avaliar bem a forma aligeirada como os políticos tratam problemas sérios, foi notória a impreparação do Secretário de Estado Pedro Lomba quando na recente inauguração da ETAR de Alcanede, elogiou a obra referindo a importância da mesma para o tratamento dos efluentes da indústria de curtumes. Baralhou-se por completo. Confundiu Alcanede com Alcanena e nem sequer deve ter reparado, mesmo com GPS, que estava no concelho de Santarém a inaugurar uma ETAR para cerca de 1.300 habitantes.

É assim que somos tratados. Por esta e por outras é que a solução deste problema vem sendo adiada, como também acontece com a ER 361, entre Amiais de Cima e Alcanena, de que também não se sabe se já há projecto, quanto mais obra. Não temos sorte nenhuma.

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