SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 17 Junho 2021, 03:55

Eles comem tudo, eles comem tudo…

Eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada. Era assim que o Zeca, o Zeca Afonso, cantava magistralmente “Os Vampiros”, canção que ficou imortalizada pelo seu desaparecimento prematuro e que ainda hoje se mantém plena de actualidade.

 

Sendo que os tempos de hoje são outros, ainda assim é bom que não se esqueça, “esses” que comem tudo empurraram-nos para esta situação com a sua ganância desenfreada, autorizada, anos e anos, pelo poderes reguladores do mundo e o resultado está à vista. Cresce o desemprego, cresce a insegurança, cresce a fome, cresce a instabilidade social e familiar e, naturalmente, baixa o consumo, especialmente daqueles que nunca chegaram a ter resolvidas as suas necessidades básicas, o que devia ser preocupante para qualquer pessoa de bom senso.

 

Nós que habitualmente contribuímos, e muito, para o chamado “nacional porreirismo“, agora mais do que nunca, temos o dever e a obrigação de ver, ouvir e analisar melhor o mundo que nos cerca. Somos obrigados a aprender a jogar à defesa, à nossa custa. Não podemos continuar distraídos e pensar que as coisas más só vão acontecendo aos outros.

 

Veja-se, por exemplo, a estratégia e os resultados obtidos pelas gasolineiras e pelo Estado, com a política de fixação do preço dos combustíveis. Um escândalo. Ainda há dias o jornal “Dinheiro Digital” de 17 de Fevereiro informava que “Em Londres, o barril de Brent … recuou $2,28, ou 5,5% para os $40,90. Antes os preços tocaram os $40,70., mínimo desde 31 de Dezembro” E a mesma notícia ainda dizia, “No mercado nova-iorquino, o barril de West Texas Intermediate cedeu $2,59, OU 6,9%, para os $34,92“.

 

Apesar deste relato de um jornal especializado, o que vai acontecendo ao preço dos combustíveis nas bombas? Vão sendo tão diferentes como divergentes, sempre a subir, altamente especulativos face à manutenção e às descidas do preço do barril, especialmente das maiores companhias, as que vendem mais e que mais abusam.

 

É certo e sabido que essas grandes companhias têm grande poder e por isso, porque quem pode consente, até na montagem dos painéis informativos dos preços dos combustíveis que legalmente deveriam ter sido instalados em 80 locais das Auto-estradas até Novembro de 2008, até aí as petrolíferas gozam connosco, atrasando a sua colocação. O prazo foi adiado para este mês mas a APETRO, segundo o AUTO MOTOR de 17.02.09, “admitiu novo atraso na instalação dos 80 painéis de anúncio dos preços”. Foi culpa do licenciamento, foi culpa do mau tempo, segundo querem fazer crer, mas o certo é que as petrolíferas vão fazendo o que querem e ainda lhes sobra tempo.

 

E nós, que pagamos tudo com língua de palmo, calamo-nos. Porquê?

Eles comem tudo, eles comem tudo, porque quem pode, deixa. Porque também come nos impostos.

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