SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 16 Junho 2021, 02:28

O trágico e o cómico

Artistas de todas as categorias têm dado asas à imaginação para nos tentarem fazer compreender os contrastes deste mundo em que vivemos.

Desde Nietzsche que perante um mundo onde o Mal e o Bem, a Beleza e a Hidiondez, o Amor e o Ódio perpassam ante os nossos olhos cansados de tantas contradições só apetece soltar um riso louco de escárnio ou de impotência.

Que mais podemos nós fazer nesta Babilónia de celerados que de humanos, muitas vezes, só têm as aparências?

Os grandes deste mundo cuidam resolver todas estas contradições com bombas cada vez mais poderosas onde são mortas milhares de crianças inocentes porque as bombas por mais poderosas que sejam não modificam a cabeça dos humanos. E se esses meios infernais não o conseguem muito menos o conseguirão os discursos inflamados, os conselhos mais sensatos ou até a afeição mais extremosa.

Não se tem falado noutra coisa senão nos distúrbios que estudantes portugueses provocaram em Espanha numa praia da moda. Diante disso (se for verdade) só apetece soltar a tal gargalhada de escárnio porque tudo o que se diga pode ser contrariado por outras mentes. Foi assim, não foi assim, os estudantes tinham razão, o hotel tinha razão, o hotel maltratou-os, eles foram bárbaros, etc., etc. Nestas e noutras circunstâncias demonstramos a nossa ignorância acerca das mentes humanas e das suas pulsões suicidas. Acende-se o rastilho à bomba e depois não queremos que ela expluda. Quem acendeu o rastilho? Os pais, as agências de viagem, os aproveitadores dos instintos das multidões. Então meninos de 18 ou 19 anos deixados à rédea solta, que não sabem divertir-se senão com boçalidades como em muitas praxes académicas só podiam brincar desta maneira? Afirmo que não conheço senão o que vem nos jornais. Foi um carnaval antes de tempo. Apetece-me citar aquela exclamação do padre António Vieira num dos seus sermões: “Não louvo nem condeno, admiro-me com as turbas”.

Depois aí temos também do outro lado do Atlântico o Imperador americano que, sem qualquer investigação resolve mostrar o seu poderio. Foi um clamor de aprovação! Têm a certeza que foi o carrasco do povo Sírio que fez ou mandou fazer aquilo?

Pedagogos, professores, mestres dum lado, no caso dos estudantes debitaram teorias, mostraram “sabenças”; do outro os políticos de todos os quadrantes (talvez) bateram palmas ao imperador americano embora o não suportem. Como o primeiro ataque obteve elogios, resolveu repetir a dose com “a mãe de todas as bombas”. Se não é trágico é cómico. Sabemos que o chão é movediço e escorregadio e podemos partir uma perna mas se cairmos os risos de quem nos contempla é enorme.

Como cristão gostaria de perguntar: será que Cristo nunca se riu?

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