SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 21 Junho 2021, 23:01

Portugal Desconhecido

Com o começo da Primavera muitos portugueses começam a planear as suas férias. Não estarei muito longe da verdade se disser que alguns planeiam ir ao estrangeiro. Hoje existem viagens ao preço da chuva e é mais “chique” dizer que se vai ao estrangeiro. Apesar da crise, mal as favas começam a deitar flor, começamos logo a planear como é que havemos de comer uma favada. Não me ponho de fora desta mentalidade tão portuguesa que nos leva a exclamar: “se o meu vizinho tem porque é que eu não hei-de ter?

Num país tão pequeno como o nosso, é uma vergonha que uma boa parte dos portugueses não o conheça. Não digo apenas os Algarves ou até o Douro porque também foram os estrangeiros a descobrir estes espaços. Portanto também “é chique” frequentar esses lugares.

Basta ver alguns programas de jogos que dão muitos milhares, para verificarmos duas falhas graves: desconhecimento absoluto da geografia e da história do nosso país. E uma pergunta baila no meu espírito: como podemos querer um país desenvolvido e próspero se o desconhecemos? Por isso elogiamos os países estrangeiros porque só vemos a casca.

Felizmente conheço todo o nosso país e muitas das suas belezas paisagísticas e monumentais. Desafio os meus concidadãos a experimentarem um ano percorrer este “jardim à beira-mar plantado” e depois testemunharem quanto é valioso este quadrado, já para não falar das Regiões Autónomas (Madeira e Açores). Depois então “estrangeirem” para onde quiserem. Visitem toda a Raia desde Vila Real de Santo António até Caminha. Depois viagem pelo centro desde Chaves até Portimão. Garanto-vos que não se sentirão defraudados. Finalmente pela beira-mar desde Caminha, Porto, Aveiro, Coimbra, Ericeira, Lisboa, Costa Vicentina e costa algarvia. Encontrarão coisas maravilhosas. Posso garantir-vos que também o estômago se sentirá bem confortado com a gastronomia.

Felizmente ainda podemos ter qualidade de vida em quase todo o território porque ainda cá não chegaram os malefícios do turismo desenfreado, sem leis nem regras.

Com tudo isto não discuto o valor das viagens ao estrangeiro culturalmente falando mas acho que é “um pecado mortal” não conhecermos o país onde nascemos antes de irmos ao estrangeiro.

Termino com os versos de Camões:

“vereis amor da pátria, não movido

De prémio vil, mas alto e quase eterno

Que não é prémio vil ser conhecido

Por um pregão do ninho meu paterno”

Lusíadas: Canto I, estrofe 10

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