SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 12 Junho 2021, 12:56

Meninos até tarde

Com a crise que nunca mais passa, apesar dos anúncios prometaicos do governo, os jovens que chegam ao mercado de trabalho veem-se e desejam-se para arranjar emprego. Que são demasiado qualificados ou são mão-de-obra para qualquer trabalho. Em qualquer das hipóteses. se o dito emprego aparece ou é precário ou é mal pago. É assim que muitos jovens azangam fronteiros param dispensarem as suas qualificações a outros países onde podem viver decentemente.

Contudo há um fenómeno que é pouco falado porque mais escondido no seio das famílias. Hoje só uma coisa começa muito mais cedo: é o namoro e a vida sexual. O resto, desde o trabalho ao casamento sério ou o viver em comum (rapaz e rapariga) processa-se cada vez mais tarde. Isto é uma afirmação genérica que admite algumas exceções.

Talvez porque as condições das famílias anteriores ao 25 de Abril fossem más ou muito más, tanto os rapazes como as raparigas procuravam tronar-se independentes o mais cedo possível. Não sou único cuja mãe casou com 18 anos e o pai com 20. Mas logo foram para as suas casas. É que, se ficassem, teriam de contribuir na mesma para as despesas da casa. Mal por mal, valia mais ter a sua própria casa sem interferências dos pais.

Tudo isto se alterou, muitas vezes para melhor, no aspeto económico dos pais, mas para pior no que respeita aos filhos. Penso que toda a gente conhece muitíssimos casos em que cada vez é mais tardia a saída da casa dos pais. É que a ideologia hedonista faz com que os jovens usufruam do bem-estar dum lar sem os respetivos encargos. Para que sair da casa dos pais se assim (tendo emprego) têm cama mesa e roupa lavada e vivem como se fossem casados com a respetiva namorada ou namorado? Os pais, hoje, já não exigem que os seus rebentos, trabalhando, contribuam para a economia do lar. Eles fazem do seu dinheiro o que muito bem lhes apetece.

Se por um lado os jovens de hoje resolveram o problema matrimonial dando de barato com as cerimónias dispendiosas e responsabilidades muito sérias, por outro lado o compromisso, a seriedade, as dificuldades são chutadas para muito longe. Enamoram-se e logo vivem como casados. Os filhos ficam, muitas vezes, para as calendas gregas. O dinheiro que ganham é para os seus prazeres porque são os pais que os sustentam.

Como podem os professores nas escolas exigirem disciplina, estudo e seriedade? Somos uma sociedade hedonista com horror às dificuldades, ao trabalho, à responsabilidade. Mas também é verdade que o mundo é deles, é onde vão viver as suas vidas e, portanto, se bem fazem a cama, melhor nela se deitam. Além disso parece que nós, os velhos, já estamos a mais. Contudo espero ainda contribuir para que a nossa civilização e os nossos jovens vivam melhor. Enquanto eu viver assim será.

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