SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Junho 2021, 14:06

O povo da globalização

É a segunda vez que assisto a um programa sobre a herança que os portugueses deixaram pelo vasto Oriente. Desde a Índia até à Indonésia, por todo o lado há sempre o rasto dos portugueses. Desde Malaca onde existe o “papiá cristão” até ao Japão e, neste caso, na longínqua Indonésia, os portugueses deixaram sinais bem evidentes da sua cultura. E, para minha admiração, desta vez é um instrumento musical que continua bem vivo em toda a Indonésia assim como canções de cariz bem português.

Júlio Pereira ficou pasmado como o seu cavaquinho é o único instrumento que naquelas paragens une toda a nação Indonésia. E isto não são palavras minhas nem do Júlio, são palavras dum professor e investigador indonésio.

Nestes tempos de “apagada e vil tristeza” é natural que me chamem saudosista do império ou, pior ainda, “patrioteiro” de trazer por casa. Mas não me aborreço com isso pois a minha intenção ao abordar estes temas não é exaltar a nossa epopeia mas demonstrar aos incrédulos e críticos e até aos historiadores ignorantes que nós portugueses merecemos muito mais que políticos medíocres sem nervo nem garra sempre com a mão estendida à Europa.

Retomando o assunto desta crónica, os Indonésios tocam um instrumento deixado pelos portugueses e atrás do instrumento vieram as cantigas e muitas palavras portuguesas no vocabulário quotidiano. Tudo com a idade bonita de 400 ou 500 anos!

Há alguns anos já eu tinha escrito, neste jornal, uma crónica sobre Malaca onde canções e festas religiosas são tão portuguesas como as do Minho.

Porque será que no nosso cantinho somos tão mesquinhos, tão derrotistas, tão pobrezinhos? Saudades do mar e do mundo que descobrimos porque estávamos apertadinhos no nosso território? Que digam cobras e lagartos da nossa colonização, que chamem esclavagistas aos portugueses, que só apreciem as nossas praias, o nosso sol ou a nossa comida, mas que algumas nações europeias e até a grande América se olhem bem ao espelho. Ninguém fala nos massacres dos Índios na América ou na superioridade britânica em relação às suas antigas colónias. Nós sempre deixamos algo de muito nosso pelo mundo que descobrimos e vejo que esses povos do Oriente têm orgulho ao falarem daquilo que lhes deixamos e que perdurou tantos anos. O que nos falta para vivermos decentemente? Políticos à altura, menos corrupção e menos ladroagem (desculpem os meus leitores esta palavra).

Partilhe!
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
Print
Share on reddit
Reddit
Jornal O Almonda, 2021 © Todos os direitos reservados