SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 12 Junho 2021, 14:43

Bons lá fora, maus cá dentro

Triste sina a nossa! Somos um povo muito especial porque se repararmos bem, ao longo da nossa História, muitos portugueses não só exerceram lá fora funções excecionais como ocuparam lugares de destaque.

Começou logo pela gesta das descobertas. Mundo fora “em perigos e guerras esforçados” comunicámos com imensos povos, conquistamos imensas terras, tivemos Afonso de Albuquerque na Índia, tivemos Jesuítas na China e no Japão, muitos dos povos com quem contactamos ainda hoje conservam algumas saudades dos portugueses. Construímos o Brasil tornando-o um único país enquanto os nossos irmãos espanhóis deixaram muitos países.

Na era moderna emigramos para toda a Europa onde hoje ocupamos lugares de destaque na criação de riqueza. Eduardo Lourenço, por exemplo, grande intelectual em França. Tivemos durante dez anos um Presidente português da Comissão Europeia. Podia falar de muitos e muitos portugueses que, por esse mundo fora, contribuem para o engrandecimento das nações que os acolhem. E agora, para nosso orgulho é um português a ocupar, por unanimidade, a cadeira de Secretário das Nações Unidas.

A pergunta que se impõe é só uma: porque é que as nossas qualidades e talentos só lá fora fazem milagres? Parece que este país não é amado pelos seus filhos apesar das saudades que todos eles sentem pelo seu cantinho natal. Aqui parece que uma floresta de eucaliptos seca tudo à sua volta. Como uma árvore só não faz uma floresta também um homem só não pode fazer milagres porque os santeiros que o rodeiam estragam tudo à sua volta. A maldita inveja, o querer ser mais espertos que os outros, o interesse particular sobrepondo-se ao interesse geral, a falta de humildade que faz com que tratemos tudo e todos com superioridade balofa, nada deixa medrar.

A pequenez do território não é desculpa como não é desculpa a nossa tão apregoada pobreza sempre a lamentar-se como um fado triste e malsão. A nossa classe política, aqueles que ocupam cargos de responsabilidade, com honrosas exceções, deviam ser julgadas em tribunal pelos males e desmandos que cometem em nome do povo. E o povo? Também ele não deve meter a mão na consciência pelas escolhas que faz?

Pavões, pavões, pavões, calaceiros, calaceiros, calaceiros, desonestos e corruptos, eis a legião que faz a nossa pobreza!

Partilhe!
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
Print
Share on reddit
Reddit
Jornal O Almonda, 2021 © Todos os direitos reservados