SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 23 Junho 2021, 12:46

Memória curta

Quando uma nação perde a memória do seu passado e daquilo que sucedeu ao longo da sua história, perde igualmente o rumo e compromete o seu futuro.

Como o feriado do primeiro de Dezembro desapareceu, também a memória histórica desse dia se esfumou como se fosse um fogo-fátuo sem qualquer importância. As pessoas mais jovens com quem eu contactei nesse dia, perguntavam-me o que é que se comemorava, visto que muitos militares e civis se juntaram nos Restauradores para lembrarem a data. Nem sequer relacionavam o nome “Restauradores” com a independência nacional em 1640.

Fui convidado pela Associação das aldeias históricas de Portugal para participar na deposição de flores na base do monumento aos Restauradores. Tirando as autoridades e os membros da Sociedade Histórica da Independência bem assim como os altos representantes dos três ramos das Forças Armadas e do Colégio Militar, muito pouca gente do povo anónimo acorreu à cerimónia. Nos noticiários da noite das três televisões, só um deu um breve apontamento. Nem a R.T.P. prestou este serviço à Nação.

Com a desculpa de não ser feriado, encapotou-se a ignorância da maior parte do povo e, o que é mais preocupante, a ignorância dos jovens esperança dum país com 875 anos de existência e com uma história singular no concerto das nações europeias. Parece que o preconceito da pequenez nos inibe de termos orgulho do nosso passado ou então como se isso fosse um sinal de fascismo.

Ao menos que a pedagogia que procuro fazer neste pequeno apontamento sirva para avivar a memória de muitos e a ignorância, atrevo-me a dizê-lo, de quase todos. Se hoje somos nação independente, se espalhamos a nossa língua pelos quatro cantos do mundo, isso se deve ao facto de sacudirmos o jugo dos Espanhóis e dos Filipes. Se não fosse esse acontecimento do dia primeiro de Dezembro de 1640, seríamos outra Catalunha ou outra qualquer província de Espanha. Quantos portugueses morreram para que hoje pudéssemos ser livres? E se conhecêssemos um pouco da nossa história, lembraríamos, nesse dia, os sacrifícios que os nossos antepassados sofreram para que hoje tenhamos orgulho em ser Portugueses.

Embora fosse uma cerimónia simples, foi digna e mostrou que ainda não perdemos a memória, pelo menos alguns, celebrando o que se deve celebrar, restaurando o feriado nacional perdido em má hora. Tocou-se e cantou-se o hino nacional e o hino da restauração e, sem vergonha, o cantei pois que o tinha aprendido na minha escola primária.

Uma última nota para lamentar que os presentes já não eram novos e tive pena de não ver representada a nossa juventude a não ser nos pupilos do exército nos alunos da Casa Pia que cantaram o Hino nacional e nos jovens militares dos três ramos das forças armadas. Assim os mais novos que ignoram esta data talvez já não possam dizer:”coisas de velhos”!

Um país e uma nação são constituídos pelo passado, pelo presente e pelo futuro. Só que sem passado não há presente ou, se o há, já nada terá a ver com aquilo que somos hoje. Meus caros jovens: os de agora e aqueles a quem ensinei com tanto amor, vamos ter orgulho de Portugal. “Entre as brumas da memória, ó pátria sente-se a voz dos teus egrégios avós que hão-de levar-te à vitória”…

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