SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 22 Junho 2021, 09:26

Dia de Todos os Santos

 

O dia 1 de Novembro também é conhecido como o “Dia dos Bolinhos” é uma tradição muito nossa, mas que, com o passar dos anos, se vai perdendo. A razão é muito simples e prende-se com a evolução natural das mentalidades, porque as crianças hoje e apesar da sua pouca idade, quase que deixaram de brincar, porque já têm outras preocupações.

 

O computador Magalhães é um dos muitos instrumentos que hoje têm à sua disposição, sem falar nesse mundo maravilhoso que é a internet, mas aonde se escondem grandes perigos, que já deram em tragédias.

 

Cada vez são menos os miúdos que nos batem à porta a pedir os bolinhos. Este ano talvez meia dúzia deles nos tenham visitado, com o seu sorriso de alegria. E quando não há bolinhos, uma moeda serve para os contentar. Mas a divisão, mesmo nesta idade, não é pacífica. Daí procurarmos dar uma a cada um.

 

As donas de casa, hoje em dia, já não perdem tempo a fazer brendeiras. Perdem tempo e é cansativo e por outro lado é bastante dispendioso. Daí ser mais prático e talvez mais barato, comprá-las na pastelaria, porque o tempo é de crise.

 

Nos meus tempos de criança, éramos um grupo grande de miúdos – havia muitos outros – que percorríamos as casas que conhecíamos e que à partida davam, um bolinho, passas e amêndoas e por vezes uma moeda. As casas mais abastadas eram as preferidas, porque vinha sempre boas ofertas. E depois de um dia a percorrer as mais variadas artérias e bairros, da terra, a última visita estava sempre destinada à Quinta do Visconde de S. Gião, onde sempre éramos recebidos e trazíamos boa colheita. Foi sempre uma Família muito simpática e que acarinhava sempre todos os miúdos. Nunca nos esquecemos desse pormenor.

 

Nessa peregrinação de pedir os Bolinhos, por vezes quem nos recebia perguntava quem eram os nossos Pais. E quando os conheciam, a dose era sempre a duplicar. No final do dia a malta do grupo juntava-se a fazer a distribuição do dinheiro recebido. Que nos lembre, nunca houve zangas deste levar mais que o outro. Éramos todos colegas de escola, amigos nas brincadeiras e a jogar à bola. Era outro tempo, difícil de virar, sem dúvida, mas o ar que se respirava era mais saudável do que hoje.

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