SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 18 Junho 2021, 21:51

A liberdade que Abril trouxe…

 

Em 1962, 26 de Junho, passou por Torres Novas, um Amigo que não conhecíamos. Convivemos com ele algum tempo, passado no antigo e saudosos «Café Portugal». E ao partir da nossa vila, este Amigo que ficámos a conhecer melhor, oferece-nos um livro. Com uma dedicatória.

 

«Ao Rocha, amigo que encontrei numa vila estagnada, pelos momentos que passámos juntos…». O livro era do escritor José Gomes Ferreira, «O Mundo dos Outros», das Europa-América. Na altura tínhamos 27 anos e já líamos Gomes Ferreira e estávamos a um ano do nosso casamento. Era assim que se vivia no tempo em que a liberdade não existia, porque só aqueles que apoiavam o regime, podiam desfrutar dela. Mas pior que a falta de Liberdade, para criticar o que não estava bem para o nosso Povo, era a ânsia que sentíamos quando chegava a noite e não saber se amanhã ainda estaríamos em liberdade, porque a PIDE aparecia sempre, sem ser anunciada.

 

Quando no passado sábado, dia 25, assistimos no Virgínia a mais uma comemoração do 25 de Abril, saímos com a certeza que a chama que nos iluminou no dia 25 de Abril, de 1974, jamais se apagará da memória dos torrejanos – particularmente dos jovens – que, connosco viveram esses momentos inesquecíveis da liberdade conquistada.

 

Foram vários os oradores cada uma com o seu ponto de vista sobre o 25 de Abril. Todavia o que mais nos marcou – porque foram mais de 50 anos de vivência social, cultural e política – foi a lembrança de todos aqueles democratas torrejanos que já partiram e deixaram imensa saudade, pelo seu exemplo de tolerância para com o adversário político, porque ninguém é detentor da verdade.

 

Pois é nesta data que devemos recordar os Amigos que partiram e nos deixaram saudade, sem esquecer, também, algumas Amigas que o destino quis que fossem mais cedo embora. Ficámos todos mais pobres, mas com a força de vontade de continuar o seu trabalho, em sua memória.

 

Quando saímos do Virgínia, a pensar em tudo aquilo que tinha acontecido, sem esquecer a homenagem cantada a Zeca Afonso, veio-nos a tal inspiração para escrever a nossa habitual «crónica do quotidiano», falando da Liberdade que Abril nos trouxe e recordando, ao mesmo tempo, breves vivências que aconteceram em 1962, na então vila torrejana.

 

São histórias que fazem parte do nosso imaginário e algumas nunca foram divulgadas, por uma questão de princípio. São opções nossas…

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