SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 17 Junho 2021, 21:20

Moda em Portugal

A Moda é a tendência de consumo da atualidade. A palavra moda significa costume e é composta de diversos estilos que podem ser influenciados sob vários aspectos. Acompanha o vestuário e o tempo e é uma forma passageira e facilmente mutável de se comportar e sobretudo de se vestir ou pentear.

Há décadas que Portugal produz têxteis e roupa para retalhistas internacionais, mas foi só nos anos 80 que o design de moda nacional realmente se desenvolveu graças. O Bairro Alto e o Chiado em Lisboa tem sido o centro dos estilistas, muitos dos quais também apresentam as suas coleções em Paris, São Paulo, Nova Iorque e outras capitais da moda.

Mas porque é que Portugal se deixa ficar para trás neste meio quando tem todas as possibilidades de vingar? Temos o exemplo da má organização da Moda Lisboa que é lamentável. Os principais objectivos deveriam passar por apoiar, promover e incentivar a criação de autores nacionais, com vista à sua integração no mercado global e inscrever Portugal no mapa internacional da Moda, enquanto país com um enorme capital criativo e capacidade de inovação.

Como se não chegasse este desastre, alguns estilistas estão constantemente a surpreender-nos com as suas colecções aborrecidas e repetitivas…Onde se escondeu a criatividade magnífica dos nossos estilistas? Está adormecida? Está a guardar-se para a próxima estação ou simplesmente desapareceu?

Acho que Portugal tinha hipótese de arrasar na Moda. Esta está cada vez mais presente no nosso dia-a-dia, é cada vez uma indústria maior e mais competitiva e temos muito bons estilistas. Este evento (Moda Lisboa) era uma óptima oportunidade para mostrarmos o que valemos! Mas, infelizmente, mais uma vez as organizações “à portuguesa” desperdiçaram uma oportunidade fantástica.

A crítica de moda deveria de ser rigorosa, colocada com clareza e informada historicamente. Não deveria minimizar ou simplificar como grande parte da crítica de moda atual faz, nem ser desnecessariamente obscura, como é grande parte da crítica contemporânea de arte. A crítica deveria buscar vitalidade e distinguir o original do derivativo e pontuar o desenvolvimento do designer, mostrar momentos de mudança, ciclos e tentar identificar esses momentos. Além disso, ressaltar técnicas, materiais e, por fim, emitir um julgamento. Porém um julgamento com propriedade, não uma mera opinião sem fundamento.

Mas é impressionante… na minha segunda ida à Moda Lisboa assistir às criações de Dino Alves, pessoalmente não gostei de quase nenhum dos outfits apresentados!

Acho que a necessidade que imensa gente tem em se mostrar diferente está a ter uma consequência horrível: o caírem no ridículo! Até poderiam ter alguma piada, se essa realmente fosse a sua ”personalidade” no dia-a-dia, e não apenas durante a Moda Lisboa para ter o gozo de chocar e aparecer. E muito sinceramente, este deveria ser um evento para se fazerem negócios e quem o deveria de frequentar deveriam de ser pessoas que realmente se movimentam no meio, como é suposto, e não um desfile de vaidades.

O Terreiro do Paço mais parecia o Carnaval de Torres Vedras! Porque é que confundem moda com pirosice?

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