SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 17 Junho 2021, 21:40

Joaquim Godinho

“O Quim já cá não está”, alguém o disse pouco depois do seu falecimento.

Morreu o Joaquim Godinho.

Sem “avisar”, partiu repentinamente quando, ao lado de sua esposa, (a sua Menina Isaura como muitas vezes dizia) via futebol na televisão.

Era um homem que enchia a alma falando de Torres Novas, independentemente do tema em apreço.

Depois da sua família, a sua paixão.

Trabalhou na Fábrica Nery onde, muito antes do 25 de Abril, acompanhou as lides sindicais na defesa dos operários e onde viveu, ano após ano, as comemorações do 1 de Maio. Aliás, o dia do Trabalhador, tinha naquela fábrica comemorações muito fortes e expressivas, mesmo antes da Revolução.

O filho da D. Plácida, como era conhecido quando mais novo, teve educação e formação que, como todos os seus, assentou nos princípios e na vivência cristã. Isso, moldou também a sua personalidade e conduta, ajudando-o a manter-se firme quando necessário, mas de emoção e lagrima fácil, quando e acima de tudo estava em causa o apoio e a ajuda a terceiros.

Comecei a melhor conhecer o Quim Godinho no Clube Desportivo de Torres Novas quando, há mais de 25 anos, assumimos a Direcção daquela casa.

Enquanto fui presidente do Clube, esteve comigo até ao fim. Era ele que dirigia as então designadas Actividades Amadores. A verdade é que a elas se dedicava de alma e coração e por elas lutou, trabalhou e angariou apoiantes e patrocinadores.

Sofria e chorava, tal como o irmão João, (já falecido) naquelas tardes de futebol a “doer”, quando o clube militava na II Divisão Nacional.

Vibrava, sofria e, por vezes, até se excedia “empurrando” para o árbitro a nossa falta de sorte ou de jeito…

Ele era assim, tal como nós, e no fim, até pedia desculpa se fosse o caso.

Foram mais de dez anos nesta vida desportiva a correr o país atrás do desporto, em particular, do futebol.

Depois, na política, veio a ser o presidente de Junta de Freguesia de Sta Maria.

E que Presidente de Junta!

Dedicado, esforçado, lutador mas, diga-se a verdade, que como com qualquer político, nem sempre era compreendido. Fez quatro mandatos que foram inequivocamente positivos, deixando marcas indeléveis da sua passagem pela vida autárquica.

Enquanto membro da Assembleia Municipal era duro na defesa dos interesses da sua “Sta. Maria”. Lutava pela sua freguesia e era vaidoso com ela.

O Quim Godinho vivia agora, ocupando o seu tempo, ora com a empresa ora, especialmente, com a sua família e amigos.

Havia sempre tempo para os amigos.

Aliás, no dia do seu funeral, um deles dizia-me emocionado que, havia poucos dias antes, o Quim Godinho se cruzou num restaurante da cidade com um grupo de comensais e amigos, em fraterno convívio. Parou e de lágrima no olho ter-lhes-á dito: “nunca deixem de ser amigos. Isso é o melhor da vida”.

É por estas e por outras que o “Quim, ainda está cá”.

Um abraço amigo para ti.

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