SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Junho 2021, 00:51

O Sentido de oportunidade

Há quem diga que o sentido de oportunidade é tudo. Ou que a ocasião faz o ladrão. Ou ainda que a necessidade aguça o engenho. Ou ainda pau que nasce torto jamais se endireita… e poderíamos ir por aí a fora aplicando ditos populares e de senso comum, conhecidos de todos, para aplicar ao mais recente “número” da maioria socialista que governa os destinos do Concelho de Torres Novas.

A história é de todos conhecida, e conta-se em poucas linhas. Há alguns anos atrás, o Executivo liderado por um ex-Presidente da Câmara (quem sabe se futuro?) do qual fazia parte igualmente o actual Presidente da Câmara concessionou a obra e a exploração do Almonda Parque a uma empresa do Grupo Lena, por muitos e bons anos. Há data, muitos exaltaram a visão destes predestinados que, a troco de nada, conseguiam que fossem privados a realizar uma obra de extrema necessidade para a cidade, sem que o erário público contribuísse com um euro que fosse.

O tempo passou. Ao que parece, nem a obra era de extrema necessidade, pelo que por lá foi ficando o parque de estacionamento sempre vazio ou perto disso, nem a visão dos predestinados manteve o erário público longe de gastos com a tal obra.

Tudo porque o contrato foi denunciado pela entidade que explorava o Almonda Parque. E com base em quê? Aqui entra a parte engraçada desta história. Porque o município, ao que parece, se havia comprometido a colocar parquímetros em grande parte do estacionamento de superfície no centro da cidade, e passados 4 anos, não o havia feito. Assim sendo, e após acordo entre ambas as partes, município e empresa, a Câmara de Torres Novas, por decisão do seu Presidente, aceita pagar 1,9 milhões de euros pelo Parque e receber a infraestrutura em finais de 2015.

Eis que, em poucos meses, consegue avançar com aquilo que não fez ao longo de 4 anos. Estacionamento taxado no centro da cidade. Surgem, assim, algumas questões realmente importantes deste processo que devia indignar o comum dos torrejanos e levar a que quem de direito procedesse às necessárias respostas. Deixo aqui algumas.

1º – Será que só agora existe a “necessidade de permitir a rotatividade regular no acesso ao parqueamento de superfície através de taxação da zona em apreço”?

2º – Porque é que só agora “se tenta direcionar os utilizadores que pretendem permanecer nesta zona por um período de tempo considerado relevante e que inviabiliza a rotatividade, para o Almonda Parque, disponibilizando assim os lugares mais apetecíveis para quem quer usufruir do comércio e serviços no centro histórico”?

3º – É inconcebível que, ao avançar para uma solução destas não se considerem excepções para os moradores destas zonas a taxar, afirmando que em alternativa têm o Parque de estacionamento subterrâneo próximo.

4º – Sendo a generalidade das afirmações contidas no documento que foi votado e serviu de suporte a esta decisão, do mais elementar senso comum (de que são exemplos a 1ª e 2ª questão aqui colocadas), porque não esta solução antes do processo que levou à denúncia do contrato e ao “rombo” de 1,9 milhões de euros nos cofres do município, ainda para mais quando a primeira solução contemplava o pagamento de 2 milhões de euros em 10 anos? A quem interessou, e porquê, que o desfecho da situação fosse este?

Para finalizar, recordemos mais alguns ditos populares. Não basta querer, é preciso saber. Ou em terra de cego, quem tem olho é rei. Ou ainda quem não deve não teme. Quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele…

Cada um dos ditos terá uma interpretação diferente. Cada um que faça a sua e entenda da sua aplicabilidade…

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