SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Domingo, 20 Junho 2021, 16:14

Os diferentes campeonatos no campeonato

Por motivos pessoais na passada sexta-feira, dia 13 de Junho, tive necessidade de me deslocar a Lisboa. Feriado municipal nesta cidade, dia para recuperar da noite de Santo António, noite de expoente máximo das Festas de Lisboa. Nos transportes públicos, circulava-se com relativa facilidade, sem a correria típica de um dia de trabalho na capital. Grupos de turistas deslocavam-se, por coincidência, no mesmo transporte coletivo que eu. E confesso que, apesar de manifesta má educação, deparei comigo a tomar atenção aos gestos e caretas que faziam alguns asiáticos que seguiam perto de mim. Instantaneamente percebi que se referiam ao lixo acumulado nas ruas, resultante da noite anterior. Um sem número impressionante de copos plásticos forrava o chão das ruas, pratos plásticos, papéis e sacos. E senti vergonha. Não sendo nada comigo, senti vergonha. E refleti sobre este facto. É, uma vez mais, um exemplo de que enquanto povo e sociedade temos muito que evoluir, que progredir e que crescer. No que respeita a direitos e deveres. Todos nos achamos com capacidade para criticar tudo e todos, apontar soluções para a crise económica, para os problemas sociais, para o jogo do nosso clube que correu mal (no dia de hoje, infelizmente, a selecção…) para a questão lá no emprego que foi mal gerida pelo chefe, todos dizemos devia ser assim, devia ter feito assado, e tal… Temos as soluções para as grandes maleitas da humanidade mas não contribuímos para evitar a vergonha que se verifica na nossa rua ou bairro.

O que é certo é que, no que toca aos nossos contributos simples, através de pequenos gestos e atitudes, todos nós deixamos muito a desejar. Falo, obviamente, em termos abstractos. Haverá certamente quem considere que é um exemplo. Eu, por mim, confesso-me: não sou perfeito, e por vezes neste campo também erro. E a questão é tão mais preocupante quanto não se verifica uma mudança geracional, que deveria acompanhar o progresso das sociedades.

Perguntar-me-ão a que propósito virá esta crónica. Eu respondo. Do campeonato do mundo de futebol. Da nossa derrota e dos jogos e atitudes de outros. Porque perdemos com a Alemanha por 4 golos sem resposta. E o Japão perdeu com a Costa do Marfim por 2-1. Nós chorámos a dolorosa derrota, por números pesados. Os Janoneses, depois de perderem o jogo, cantaram para a sua selecção e, quando esta regressou aos balneários, os adeptos que assistiam ao jogo no estádio puxaram de sacos e começaram a recolher o lixo que haviam produzido nas bancadas durante o jogo. Deixaram o espaço como o haviam encontrado. Limpo.

Não tenho presente o calendário do campeonato do mundo de futebol. Não sei se existe ou não a possibilidade de jogarmos com o Japão. Se tal acontecer, felizmente que esse confronto é ao nível futebolístico. Aí acredito que possamos ganhar. Porque se for em termos de atitude e responsabilidade, a derrota que nos seria inflingida seria muito maior e mais humilhante que aquela que sofremos com a Alemanha.

“Você tem que ser o espelho da mudança que propõe.

Se eu quero mudar o mundo, devo começar por mim.”

Mahatma Gandhi

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