SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Domingo, 20 Junho 2021, 17:48

A descarga no Almonda: imagens de outros tempos…

Foi recentemente tornado público um vídeo que aparentemente indignou muita gente. Há muito que não via tanta contestação, tanta gente a contestar, a manifestar-se, a tomar posições, a exercer o seu dever de cidadania. E bem, diga-se. O motivo não é para menos. Uma descarga no nosso rio Almonda, às claras, no centro da cidade. Que foi registada em vídeo por um cidadão estupefacto perante aquela cena que há muito deveria ter sido erradicada do nosso quotidiano.

Multiplicaram-se os contactos com as empresas em causa, uma aparentemente contratada pela empresa intermunicipal Águas do Ribatejo, S.A., para proceder a tal tarefa e a própria empresa de Águas. Referem ambas as empresas que tal procedimento foi devidamente comunicado à Agência Portuguesa do Ambiente, à brigada SEPNA da GNR e à própria Câmara Municipal de Torres Novas. Hoje, dia em que escrevo estas linhas (19 de Dezembro de 2013), não sei se tais factos correspondem ou não à realidade, mas também não pretendo debruçar-me sobre essas questões. Claro que são importantes, mas a seu tempo, serão as mesmas esclarecidas, quem sabe se aquando da leitura destas linhas tais esclarecimentos já terão ou não ocorrido.

O que importa aqui perceber são outro tipo de questões, questões mais profundas. Em primeiro lugar e desde logo, saber se não existe outro tipo de procedimento que poderia ser realizado tendo em vista os fins necessários? Dizem-me que sim, mas não sei… deixo desde logo esta dúvida.

Também, segundo alegam as empresas, tal procedimento é necessário para proceder à manutenção da estação elevatória, por forma a não colocar em risco de vida os funcionários que procedem a tais trabalhos. Mas dizem mais. Dizem que esses trabalhos de manutenção são “frequentes”! Assim sendo, quantas descargas já terão existido ao longo dos anos? Sim, dos anos, porque se tal situação, como refere a empresa Águas do Ribatejo, esta situação resulta do facto desta estação elevatória “se encontrar em funcionamento precário, fruto do elevado estado de degradação do equipamento”. Ora, não ficou neste estado de um dia para o outro.

O que nos leva a mais uma questão. Foi por esta e outras situações semelhantes que, na minha opinião, se optou pela adesão a esta empresa. Talvez o facto da Câmara Municipal não se ter ainda hoje, passado uma semana, pronunciado nem condenado veementemente tal acontecimento publicamente, tenha que ver com isto mesmo. Com a consciência de que se vendeu gato por lebre.

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