SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 16 Junho 2021, 03:25

Esplendores e misérias do poder local

Era abril e era 2012. O Sr. Presidente da Câmara inaugurava com pompa o arranque das obras da Escola de S. Gião. Discursou, fazendo uso do dom da palavra que unanimemente se lhe reconhece, realçando a importância dos melhoramentos que a escola iria receber. Até prometeu que a malograda Escola Maria Lamas não seria esquecida pela onda de melhoramentos. O evento até foi abrilhantado com a presença dum alto representante do Ministério da Educação. Um ano passado, no momento em que escrevo estas linhas, as obras da Escola estão paradas. Como paradas estão as megalómanas obras do novo edifício da câmara. Quanto às maleitas da escola Maria Lamas, não se deu pela prometida intervenção do Sr. Presidente.

Este escandaloso estado de coisas tem merecido um silêncio complacente, não só por parte dos meios de comunicação, como da população em geral. A indignação popular, que tem marcado a vida política da nação, insiste em poupar a edilidade a qualquer embaraço, fazendo vista grossa ao que está à vista de todos: os estaleiros inativos. E os elefantes brancos não se ficam pelos guindastes paralisados e edifícios esventrados. Que dizer do parque de estacionamento vazio, ainda que nas imediações os automóveis se amontoem na via pública, em manifesta contravenção e com prejuízo da circulação. Quem vai pagar a construção daquele avantajado edifício? Seguramente que não serão os escassíssimos utilizadores.

Fico curioso em saber como irão constar, na anunciada edição de luxo sobre a obra de António Rodrigues ao longo do seu consulado, o novo edifício da Câmara e a Escola de S. Gião em instalações renovadas.

O poder local implementado com o fim de promover o bem-estar das populações é responsável por inquestionáveis melhorias por esse país fora ao longo dos últimos decénios. Contudo, os exemplos de despesismo desbragado, à mistura com o abuso do poder, alguma corrupção e muita demagogia, ensombram-lhe as virtudes e tornam-no co-responsável pelo desastre económico que se abateu sobre Portugal e fragilizou o regime.

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