SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Junho 2021, 13:16

Morrer de fome à vista de comida

 

“As eleições são entendidas pela maioria dos candidatos como uma batalha pelo poder, onde ‘o céu é o limite’, quer em relação aos gastos, quer em relação aos recursos (lícitos ou ilícitos)”

 

Luís de Sousa in ‘Corrupção’ editado pela FFMS.

 

 Vai para três meses que se encontram em Torres Novas e no Entroncamento médicos costa-riquenhos. Contudo, encontram-se impedidos de exercer, apesar de estarem a receber para o efeito e da tremenda falta que fazem nos centros de saúde respectivos. Porquê? Ao que parece, o processo de recrutamento foi atabalhoado. Havia pressa, porque se pretendia que chegassem antes das eleições, para que o partido então no poder pudesse colher proveito da iniciativa. Não fosse esta cega avidez por conseguir, a qualquer preço, um punhado de votos, e estes clínicos teriam vindo um pouco mais tarde mas estariam já a prestar serviço.

 

Resumindo: há falta de médicos no centro de saúde e temo-los, mas impossibilitados de prestar assistência aos torrejanos; o dinheiro é pouco, mas desperdiça-se da forma que se vê.

 

Esta insólita (e dispendiosa) situação é fruto da desenfreada sofreguidão de votos, que infectou os partidos que assim se colocam acima dos interesses da Nação. Sem qualquer pudor, o erário público foi posto ao serviço da campanha eleitoral do partido. Os que assim agem não servem a democracia. Desprestigiam-na. E, ao contrário da Islândia, tudo leva a crer que, deploravelmente, ninguém será responsabilizado por mais este rombo financeiro no país, particularmente revoltante num momento em que os portugueses sofrem com uma crise económica sem precedentes. E não se pense que para estes colegas sul-americanos é indiferente este imbróglio. Muito pelo contrário! Para além do mais é a imagem do país que sai manchada.

 

Se bem que a Câmara Municipal de Torres Novas não seja directamente responsável por esta fífia, a verdade é que sai salpicada, porque fez questão em se associar à iniciativa de forma exuberante. Já agora: seria interessante saber que atenção mereceu à edilidade o jovem médico português que, por essa altura, foi colocado no nosso centro de saúde. E … já está em funções.

 

Acácio Gouveia

aamgouveia@clix.pt

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