SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 17 Junho 2021, 21:13

Extensão de saúde do Paço

No penúltimo número de “O Almonda” o Sr. Presidente da Junta da Olaia e Paço veio juntar a sua voz às da CDU e Câmara Municipal, sugerindo a reativação da extensão de saúde do Paço. Seria um erro crasso e é muito improvável que venha a suceder, a menos que haja uma drástica alteração da demografia local.

1.         O Sr. Presidente da Junta é o primeiro a confessar-se satisfeito com a qualidade dos serviços prestados pelo polo da Olaia da USF Almonda. Apesar de juiz em causa própria direi tal opinião coincide com a perceção dos profissionais no terreno e com dados objetivos da avaliação. Estas melhorias só foram possíveis porque, entre outras coisas, se encerrou uma extensão de saúde do Paço, que não tinha viabilidade para prestar cuidados de saúde com o mínimo de qualidade, e se concentrou na extensão da Olaia a assistência. O nível de cuidados atualmente prestados pela USF Almonda – na qual está integrada a extensão da Olaia – ficaria comprometido se fossemos obrigados a reabrir a extensão do Paço. Por outro lado a qualidade dos cuidados no Paço seriam, como eram anteriormente à sua fusão com a Olaia, inadequada. E isto não tem a ver com os profissionais que lá trabalharam: o cerne da questão é organização. A proliferação de extensões baseadas no lema “um serviço em cada esquina” é um erro que as populações têm de deixar de acalentar. A ideia de serviços de proximidade à custa duma proliferação desenfreada é um logro.

2.         A aldeia do Paço não é a única povoação isolada e com moradores idosos e sem meios de transporte. Poderíamos citar uma dúzia de outras só no nosso concelho. Assim sendo, em nome da igualdade de direitos, a solução estaria na construção de uma dúzia de novas extensões de saúde e não apenas na reabertura da de Vila do Paço. Se assim fosse os profissionais gastariam mais tempo em deslocações do que a tratar da saúde das populações.

3.         A esperança que outro governo reabra a extensão do paço labora em vários erros. Primeiro, o encerramento de pequenas extensões de saúde sem dimensão capaz de proporcionar cuidados de qualidade tem sido uma política transversal a vários governos. Segundo: desengane-se quem pensa que este encerramento foi decidido nalguma remota repartição do ministério da saúde. A orientação geral vem efetivamente de Lisboa, mas a escolha das extensões a encerrar é uma decisão local e com o envolvimento dos profissionais no terreno. Portanto, não se conte com a USF Almonda para colaborar na reabertura da extensão de Saúde do Paço, que em nada serve a população.

4.         A decisão do encerramento daquela extensão de saúde foi atempada explicada ao órgãos de poder local (Câmara Municipal e Junta de Freguesia) e à Comissão e Utentes, sem que tivessem sido levantadas objeções. Passados dois anos e perante os ganhos averbados pela fusão com o polo da Olaia é desconcertante que se peça o retrocesso a formas de prestação de cuidados demonstradamente ineficazes. Não seria tempo de encontrar soluções inovadoras para os problemas que foram evocados em vez de pedir o regresso a um passado que não devia deixar saudades? Porque não estudar soluções que passem pela melhor da mobilidade?

Acácio Gouveia

Médico da USF – Almonda

aamgouveia55@gmail.com

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