SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 14 Julho 2020, 00:15

Identidade

A biodiversidade, diversidade de espécies dum certo local, tem um valor intrínseco. A consciência em termos mundiais da extinção de espécies iniciouse com o desaparecimento, por volta de 1662 nas Ilhas Maurícias, pela caça ex cessiva, destruição do habitat e introdução de animais exóticos pelos marinheiros, de uma ave mítica: o dodô.

Anteriormente já tinham ocorrido extinções diretamente causadas pelo ser humano: os Maoris caçaram as moas, aves com perto de 3 metros de altura causando o seu desaparecimento e indiretamente a águia de Haast, uma ave tão poderosa que eram as moas o seu principal alimento. Até há relativamente pouco tempo olhávamos para a natureza com uma conceção antropocên trica entre o bem e o mal: as espécies que nos interessavam, plantas ou animais, eram boas; as espécies das quais não tínhamos nenhum benefício direto, ou que entravam em competição com os nossos interesses ou atividade, eram más.

Esta visão simplista e perigosa tem vindo a alterar-se e hoje tendemos a considerar os seres vivos que nos rodeiam como algo a preservar, talvez porque estamos a provocar, pela forma exagerada e insustentável com que nos apropriamos dos recursos naturais, uma extinção em massa causada diretamente, entre outros aspetos, pela destruição de habitats ou introdução de animais e plantas exóticas. Podemos pensar, face aos problemas sociais e económicos que têm vindo a manifestar-se, que a preocupação com a extinção em massa que ocorre nos nossos tempos é um mal menor. Não é assim!

A natureza é uma casa cheia de comodidade em que é agradável habitar. Se formos pou co a pouco reduzindo essas comodidades, ao princípio não notamos as desvantagens mas, no final do dia, arriscamo-nos a ficar apenas com paredes em ruínas. É um pouco como se estivéssemos a correr em direção a um precipício e, em vez de abrandar, aceleramos cada vez mais. A preservação da natureza, da biodiversidade, é uma obrigação moral, uma forma de garantir às gerações vindouras o seu direito em usufruir do planeta e dos recursos naturais com as mesmas comodidades e até, se acreditarmos que a Humanidade tem tendência para evoluir no sentido positivo em termos sociais e económicos, melhor do que o encontramos. Mas para além disso, tal como em Torres Novas, onde a serra se une com a lezíria pelos meandros do Almonda, a biodiversidade, ao nível das características sociais, culturais, históricas, geográficas, fisiográficas e climáticas no território são um forte fator de identidade.

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