SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 19 Setembro 2020, 12:49

De médicos (veterinários) e loucos, todos temos um pouco

Falar de dirofilariose

Por: Dr.ª Telma Gomes

Há muito tempo que não escrevo sobre doenças com nomes estranhos. Hoje falo-vos da dirofilariose. Sabiam que há uns parasitas, tipo lombrigas, que se alojam no coração dos nossos animais, cães mais frequentemente? É verdade, é quase inconcebível imaginar, mas experimentem pesquisar em qualquer motor de busca da internet por “dirofilariose”, que hão de encontrar as imagens. Como é que isso acontece, então? As fêmeas adultas de dirofilaria, alojadas nos grandes vasos e câmaras cardíacas, produzem pequenas larvas, microfilárias, que circulam pela corrente sanguínea. Ao alimentar-se do sangue do animal infetado, um mosquito torna-se vetor da doença e poderá transmitir as microfilárias a outro animal, ao continuar a sua alimentação. As pequenas filárias migram até ao coração, onde concluem o seu ciclo de vida e onde irão viver durante alguns anos, continuando a reproduzir-se. A que sinais deve estar atento, no seu animal? Numa primeira fase, muitos são os casos assintomáticos. Contudo, à medida que os parasitas se vão reproduzindo e ocupando as câmaras cardíacas e vasos sanguíneos, começam a surgir as primeiras manifestações de doença: cansaço, intolerância ao exercício, tosse, diminuição do apetite, perda de peso… Pode acontecer que as alterações cardíacas que vão surgindo se tornem crónicas e o animal desenvolva mesmo insuficiência cardíaca. Se não for tratada é fatal, e o próprio tratamento não é isento de riscos. Como prevenir? Na nossa região, têm sido cada vez mais frequentes os casos de dirofilariose, muitas vezes sub-diagnosticada e confundida com alterações cardíacas primárias. A melhor prevenção passa pela administração mensal de uns comprimidos microfilaricidas, que matam as larvas antes sequer de se poderem desenvolver. Para poder iniciar essa medicação, o animal deve ser testado e poderá sê-lo a partir dos sete meses de idade. Não vale a pena arriscar. Aconselhe-se com o seu veterinário sobre esta doença frequente, pouco conhecida e fatal, para iniciar o plano de prevenção adequado ao seu melhor amigo!

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