SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 15 Agosto 2020, 10:59

O centenário da chegada da imagem de Nossa Senhora do Rosário oferecida por um torrejano

Torres Novas está intimamente interligada aos acontecimentos de Fátima. Foi um leigo torrejano, Gilberto Fernandes dos Santos (18921964) que vendo que a Capelinha das Aparições não possuía uma imagem que concretizasse a devoção das pessoas que ali iam, que tomou a iniciativa e decidiu encomendar e oferecer a escultura de Nossa Senhora do Rosário desde há 100 anos se venera na Capelinha das Aparições, na Cova da Iria. É a escultura mariana portuguesa mais conhecida em todo o mundo. Em 1919 Gilberto encomendou a imagem à Casa Fânzeres, de Braga. O santeiro José Ferreira Thedim esculpiu a imagem, de acordo com a informação prestada pelo cónego Manuel Formigão, baseada na recolha dos interrogatórios efetuados nos anos anteriores aos pequenos videntes. O santeiro inspirouse na imagem de Nossa Senhora da Lapa que se venera em Ponte de Lima, e com algumas alterações, modelou aquela que viria a ser a escultura mariana de maior devoção do povo português. A Casa Fânzeres aplicou a policromia e os dourados.

Na primeira semana de maio de 1920, Gilberto recebeu na Estação de Caminho de Ferro de Torres Novas (Riachos) uma caixa de madeira com a imagem no seu interior, a qual foi transportada pela empresa de transportes João Clara & C.ª (Irmãos), Lda. até à cidade torrejana. Daqui partiu alguns dias depois, escondida dentro de um carro de duas rodas, puxado por um muar até Fátima. A 13 de maio de 1920 o regime republicano impediu que a imagem fosse levada para o local das aparições, pelo que ficou retida durante um mês na Igreja Paroquial de Fátima. Só no dia 13 de junho de 1920 é que a imagem chega à Capelinha das Aparições. Eram 15h30m. É na capelinha das aparições que permanece desde há 100 anos. Apenas saiu em raras ocasiões, algumas delas a pedido dos Papas. É considerado um dos mais importantes ícones do catolicismo da atualidade e um dos maiores símbolos do cristianismo. A virgem de mãos postas em oração, com um rosto delicado, sereno e doce é para os seus devotos a verdadeira representação de Maria, a mãe de Jesus que intercede com o seu olhar maternal.

Para assinalar o centenário da entrada da imagem na Capelinha das Aparições, o Santuário de Fátima colocou a escultura mais próxima dos peregrinos, deslocandoa durante a tarde do dia 13 de junho de 2020 por um período de quase 6 horas para a exposição “Vestida de Branco”, que está patente no Convivium de Santo Agostinho, no piso inferior da Basílica da Santíssima Trindade. A fila foi comprida e o tempo de espera foi longo, mas os peregrinos tiveram a oportunidade única de verem a imagem a poucos centímetros de distância. Um olhar face a face. Elvira Sequeira, a vereadora da Cultura e Património Cultural do Município de Torres Novas, cidade de onde era natural Gilberto, o devoto que ofereceu a imagem, foi uma das primeiras visitantes a verem de perto a imagem, acompanhada pelo bispo de LeiriaFátima, D. António Marto e pelo Pe. Carlos Cabecinhas, reitor do Santuário de Fátima.

João Filipe

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