SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 11 Agosto 2020, 01:13

Vivamos uma vida nova

1. A vida nova dos discípulos de Jesus que São Paulo recomenda no trecho da Carta aos Romanos, a segunda leitura deste XIII Domingo, manifestase quando eles amam como o Senhor nos ama. O amor de Jesus é a referência da perfeição do nosso amor nos vários âmbitos da vida. A começar pela vida familiar onde se faz a experiência fundamental da alegria do amor, onde os esposos aperfeiçoam o amor que os une e onde todos os membros, filhos, avós e outros familiares, contribuem para formar uma comunidade de amor e de vida. É a qualidade do amor que dá solidez, unidade e alegria à família. Também Jesus, segundo o desígnio de Deus, encontrou na família de Nazaré, o ambiente adequado para crescer em idade, em sabedoria e em graça. Era submisso aos Pais mas encontrava no amor do Pai Celeste a fonte e o suporte da sua vida (cf Lc 2, 4952). Neste tempo de incerteza e de medo, gerados pela pandemia, onde encontraram as pessoas o apoio?

Geralmente na família. Este flagelo, que ainda nos ameaça, convidanos, portanto, a fortalecer a comunidade familiar como o lugar onde se vive o amor, se socializam os mais novos e se encontra a principal proteção para enfrentar as provações da vida. Procuremos, pois, que os pais e avós não descurem a sua missão de educadores e se dediquem a tornar a família espaço de acolhimento e de cuidado de uns pelos outros. Também a nível de transmissão da fé é decisiva a influência da família. Por isso, a consideramos a Igreja Doméstica. 2. Tendo presente a importância fundamental da família, como entender as palavras de Jesus no evangelho deste domingo (Mt 10, 3742): “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim não é digno de Mim”? Certamente que o amor a Deus não está em concorrência com o amor de família.

Como sabemos, por experiência e pela Sagrada Escritura, o amor a Deus é a referência e a fonte do amor verdadeiro, aberto, promotor da união e da responsabilidade na família. Mas, nos tempos antigos, o contexto era outro: a família era o centro absoluto e fechado que nem sempre respeitava o caminho, a vocação pessoal, a forma de vida dos filhos. Era tudo decidido pelo(s) pai (s) sem espaço para a decisão livre de cada pessoa. Ora Jesus veio instaurar o Reino de Deus com laços afetivos novos: o respeito pela vocação de cada um, o amor aberto, o acolhimento do outro na sua particularidade. De facto, o amor de Deus como fonte e inspiração do nosso amor, gera novas relações, nova forma de viver, caracterizada pela justiça, pela liberdade, pela fra ternidade universal e pela alegria. Colocar o amor a Jesus como referência principal é encontrar uma força e um caminho para crescer na perfeição da caridade que conduz a dar (dedicar) a vida ao amor de Deus e do próximo.

Como Jesus exemplificou, amar é entregar a vida, é darse. A vida que não se dá, que se reserva apenas para si mesmo, perdese. A vida que se dá ganhase, dá fruto, como afirma o evangelho deste domingo. 3. Amar é acolher Deus e as pessoas como Jesus acolhia. Ele via cada pessoa como filho de Deus, reconhecia a dignidade e a bondade de todo o ser humano, mesmo quando considerado socialmente pecador ou excluído. Via para além das aparências, dos preconceitos, dos rótulos socias. Por isso, confiava em todos. Não impunha fardos ou obrigações, mas fazia apelo à bondade e ao desejo de perfeição que habitam no coração de todo o ser humano, como no caso da mulher surpreendida em adultério, de Madalena, de Zaqueu, de todos os que se cruzavam com ele.

E, na verdade, as pessoas mudavam porque encontravam quem nelas confiasse. Hoje temos dificuldade em acolher. Desconfiamos dos estranhos, dos estrangeiros, dos diferentes. Temos dificuldade em dispor de atenção, de afeto, de compreensão para com os doentes, os idosos, mesmo quando membros da família. Os pais mostram dificuldade em aceitar o nascimento de novas vidas, os namorados em respeitar a liberdade e a peculiaridade um do outro. É uma amostra do apego ao comodismo, do medo de perder as regalias do bemestar, da dificuldade em pôr em questão ideias feitas. Peçamos ao Senhor que nos perdoe por todas as vezes que não abrimos a porta a quem precisava de atenção: “Senhor que nos mandastes antepor o Vosso amor a tudo o resto, dainos a luz e a força do Espírito Santo para amarmos as pessoas e as realidades à luz do Vosso amor”.

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