SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 1 Outubro 2020, 05:17

Luís Cancela – Atletismo, 46 anos

“Infelizmente, não estamos numa fase em que se possam traçar objetivos.O grande objetivo seria que isto tudo passasse e que pudéssemos ter um bocadinho de liberdade.Quer seja para treinar, para trabalhar ou para conviver. Porque as coisas não estão muito fáceis”

1. Sou um atleta que já leva mais de trinta anos nesta brincadeira, que é praticar desporto diariamente. Tenho vários campeonatos nacionais ganhos nos últimos dez anos. Fui cerca de vinte vezes Campeão Nacional de triatlo x-terra, de duatlo longo e de duatlo curto. E consigo fazer pódios em quase todas as provas, mesmo a nível nacional e regional no meu escalão.

2. Além do contacto com a natureza, há duas coisas que eu acho muito importantes, porque na minha idade os objetivos já não podem ser muito por aí além. Uma é pôr-me em cima da balança e não ver lá três dígitos e outra é quando vou ao médico, e ele sem me conhecer de lado nenhum, olhar para os resultados dos exames e pergunta-me se eu pratico desporto, porque há ali qualquer coisinha que é diferente do normal. E essas são as principais motivações.

3. Não é fácil, mas com os horários que eu tenho, que são um bocadinho diferentes dos outros atletas que treinam comigo, eu sempre me vi, muitas vezes obrigado a treinar sozinho. Por isso, não me faz assim grande diferença. Não é isso que me desmotiva.

4. Eu nunca tive planeamentos de treino. Sempre treinei por sensações. Se estiver bem fisicamente, treino. Se não estiver bem, não treino.

5. Talvez da competição, porque mesmo nos escalões de veteranos, há sempre muita competitividade entre nós. E somos todos amigos de há muitos anos, mas quando estamos em prova, estamos ali para ganhar e damos tudo o que temos e não temos.

6. Infelizmente, não estamos numa fase em que se possam traçar objetivos. O grande objetivo seria que isto tudo passas-se e que pudéssemos ter um bocadinho de liberdade. Quer seja para treinar, para trabalhar ou para conviver. Porque as coisas não estão muito fáceis. Foram emitidos comunicados por diferentes federações em que é dito que só alguns profissionais e os atletas de Alto Rendimento é que podem treinar no exterior. E depois nós passamos na rua e há dias em que se vê mais bicicletas que carros na estrada. Acho que é uma falta de respeito para com os profissionais de saúde e outros demais que têm de trabalhar para o país não parar. E depois, há pessoas a pôr a sua vida e a dos outros em risco, e sem necessidade. Temos mesmo de nos isolar para que tudo isto acabe. Porque se estivermos agarrados a um ventilador ou debaixo da terra, a forma física não nos vai fazer falta absoluta-mente nenhuma. A saúde agora é o mais importante.

7. Que tenham esperança e que não baixem os braços. E que se tentem manter ativos, mas com todos os cuidados, porque brevemente havemos de estar aí novamente à carga.

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