SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 10 Julho 2020, 22:44

«Temos de incentivar a que cada um dê o seu melhor. É esta a nossa obrigação moral»

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Aníbal Manuel Vieira, nasceu a 9 de Setembro de 1962, em Viegas, Alcanede, concelho de Santarém. Fez a instrução primária na sua aldeia e transitou depois para a Telescola em Alcanede. Continuou os estudos no liceu de Santarém até ao 11º ano, no ano em que se iniciaram os cursos unificados. O 12º fê-lo por exames nacionais e nesse mesmo ano esteve a leccionar matemática na Escola Secundária de Marvila.

 

A questão vocacional foi-se sempre colocando ao longo da vida. Atraiu-o a área das ciências do ponto de vista intelectual e da partilha de conhecimentos. Mas como realização pessoal o ministério sacerdotal também o atraiu. No ano em que leccionou matemática foi também o ano em que foi crismado. A relação próxima com o Bispo D. António Francisco levou-o a aceitar o desafio para ingressar no seminário. Depois sentiu que ali era o seu lugar, sentiu o chamamento de Deus.

 

Como é que o Pároco de Torres Novas decidiu abraçar a fé cristã? E porque decidiu ser Padre? Como é que surge o seu relacionamento com a Igreja?

 

Nasci numa família católica praticante, cresci a ir com a minha família à missa ao Domingo. A dada altura surgiu a crise da fé. Eu vivia num ambiente rural, onde se praticava a agricultura de subsistência, trabalhando ainda com o arado. Há uma frase do Evangelho de S. Lucas que diz “Quem deita a mão ao arado e olha para trás, não é digno de mim”. Estava um dia a lavrar e lembrei-me desta frase. Se não olharmos para a frente ele salta fora do sítio. E perguntei-me, “Será que a palavra de Deus é verdadeira?”. E quando tinha algumas dúvidas ia-me lembrando de algumas frases bíblicas. Percebi que a solução que me era apresentada por Deus era mais realizadora da minha pessoa que qualquer outra palavra.

 

O Pe. Aníbal Vieira tem raízes ribatejanas, está habituado aos usos e costumes das gentes da região. Mas a comunidade está agora a começar a conhecê-lo. Poderia dar-nos uma ideia de que tipo de homem e de sacerdote podemos esperar de si?

 

Um homem inteiro de serviço. Claramente que tenho a preocupação em estar por inteiro onde estou. E a comunidade irá conhecer-me…

 

Não quer criar expectativas?

 

Nem será isso. Não tenho que anunciar porque estou de serviço. E estou num serviço de mediação. Vivo como sacerdote desta igreja diocesana. Estou e sou presbítero de uma diocese. Foi para aqui que o Senhor Bispo me enviou e será aqui que tenho de estar. Nas situações que tiver dúvidas terei de dialogar e de aprender a caminhar com esta comunidade concreta.

 

Passado pouco mais de um mês desde que começou a tomar conhecimento da realidade das paróquias de Torres Novas que forças ou fraquezas nelas encontrou?

 

Encontrei um bom acolhimento e também uma boa participação. Essas são duas características muito interessantes. Uma grande quantidade de pessoas e com muita vontade em participar. A grande dificuldade será o contexto disperso de toda a comunidade. Há lugares que funcionaram sempre autonomamente e há toda uma aprendizagem que tem sido realizada ao longo dos anos, de uma caminhada para uma unidade na diversidade e uma coordenação de serviços. Isso só será possível com espaços adequados e que têm vindo a ser renovados.

 

Luís Miguel Lopes

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