SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 1 Outubro 2020, 04:26

«Quando sair, saio com obra feita»

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É sem dúvida a figura política mais marcante de Torres Novas dos últimos dezasseis anos. António Rodrigues conquistou a Câmara de Torres Novas por uma margem de 88 votos quando concorreu pela primeira vez e não mais largou a sua presidência, marcando de forma indelével a matriz de Torres Novas. Há dezenas de intervenções, dezenas de obras, que terão de lhe ser assacadas. Terá de ser recordado como o homem que um dia teve o sonho de fazer um “Turris XXI”, com os fundos comunitários, e que o conseguiu pôr em prática. Foi por causa desse primeiro sonho associado a uma vontade que o tempo mostrou ser férrea, que António Rodrigues foi fazendo obra. É esse o seu orgulho. É essa a sua satisfação.

 

Ao entrar no último mandato como Presidente da Câmara de Torres Novas, António Rodrigues contou a “O Almonda” o que espera ainda fazer nos próximos três anos e meio.

 

P – No próximo fim-de-semana vão viver-se na cidade três dias incomuns. Pelo menos assim promete o programa cultural da responsabilidade da Câmara. O que é que vai acontecer e porque é que vai acontecer? Se não fosse a obrigatoriedade de produzir conteúdo imaterial, como está previsto no programa de recuperação do Centro Histórico, este evento não se realizaria?

 

R – O evento que vai decorrer este fim-de-semana, “Revisitar D. Manuel I – 500 anos do Foral Novo”, é uma actividade integrada no programa “Memórias da História” e que iremos procurar repetir anualmente. Para o ano que vem estamos a equacionar a apresentação da recriação de uma das Cortes que tiveram lugar em Torres Novas.

 

O evento só é possível porque está inserido na estratégia de regeneração e recuperação do Centro Histórico da cidade. Estamos a trabalhar nesta recuperação em parceria com mais dez instituições e colectividades sediadas no Centro Histórico, de maneira a que, em conjunto e com um trabalho interactivo, dentro de dois anos possa o nosso centro ter outras condições e outra vitalidade.

 

Sem o projecto de regeneração do Centro Histórico esta iniciativa não existiria. Na candidatura que fizemos tivemos de apresentar actividades materiais, ou seja as obras, e imateriais, onde se inserem os eventos destinados à dinamização cultural deste espaço, como será a vinda do Rei D. Manuel I. É um evento obrigatório no âmbito da candidatura e é comparticipado a 80%. Mas queremos que seja um evento que venha para ficar e que, com ele, Torres Novas ganhe mais um acontecimento de dimensão nacional, a juntar à Feira Nacional dos Frutos Secos.

 

P – Quando fala em “dimensão nacional” significa que é esperada uma grande afluência?

 

R – É desejada uma grande afluência e não me surpreende que ela ocorra.

 

P – E como vai medir o sucesso, ou insucesso, da iniciativa?

 

R – É evidente que a participação das pessoas é importante, em particular a participação de torrejanos de todo o concelho, por isso mesmo criámos horários específicos dos TUT para assistir o evento. Mas tão importante, ou mais, é que o evento marque as pessoas, que as surpreenda e seja um êxito. Desde logo, se não chover já será bom. Depois, para o dinamismo desta representação quinhentista, seria bom que se dê um entrosamento entre os participantes e os actores e companhias contratadas que vão interagir com aqueles. É também importante conseguir que os conteúdos históricos a transmitir sejam compreendidos e que o visitante saia a saber mais da cultura e da história de Torres Novas, que a pessoa leve consigo a memória da cidade e queira voltar. Por fim, para que seja perfeito, então, que tenhamos muita gente e se viva um verdadeiro ambiente de festa.

 

P – Apelou à participação das pessoas. Como é que elas poderão ajudar? Apenas por assistir?

 

R – Não só. As colectividades, associações e escolas do concelho foram chamadas a participar, integrando os cortejos que vão acontecer, vivendo-os devidamente caracterizadas, ocupando as bancas de artesanato ou em serviços de restauração… Os grupos de teatro vão ter actores trajados à época, para ajudar a recriar o ambiente correcto, e que irão interagir com o público. Teremos um cortejo com a chegada dos mercadores, outro com a entrega do Foral à cidade e outro ainda onde será recebido o Rei D. Manuel I, e para os quais esperamos contar com a alegria do povo.

 

P – Falando do lado “material”, da intervenção do Centro Histórico, certamente que não é por vontade da Câmara que se vêem tantos prédios degradados. Recentemente decidiu a autarquia tomar posse administrativa de um prédio no Centro Histórico e fazer a sua recuperação. Há outros prédios que irão ter a mesma sorte?

 

R – A Câmara de Torres Novas, para que fique claro de uma vez por todas, já fez tudo o que é da sua competência no Centro Histórico. Tudo! Desde os novos colectores de águas e saneamento, à instalação de todas as infra-estruturas que estão soterradas e próprias da vida de uma urbe. Está lá tudo. Recuperou-se o castelo e sua alcaidaria, criaram-se jardins na sua envolvente, restaurou-se e dignificou-se a praça 5 de Outubro… Portanto, falta manter a componente edificada, o casario velho que não é propriedade da Câmara.

 

Para abordar esse problema a autarquia, através do seu programa CHERE, está a disponibilizar dinheiro para que os proprietários recuperem os telhados e as fachadas dessas casas. Aqueles que não quiserem fazer obras e cujos prédios estejam em más condições correm o risco de ver a Câmara recorrer à expropriação. Mas cada caso será um caso.~

 

Luís Miguel Lopes

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