SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 8 Agosto 2020, 06:29

Início das obras de restauro do Órgão de Tubos de Santiago

 

Já iniciaram os trabalhos de restauro do órgão do século XVIII, da Igreja de S. Tiago, uma obra da iniciativa das paróquias de Torres Novas comparticipada pelo QREN. Mas até a primeira nota soar, o órgão irá passar por várias fases: depois de ter sido feito um diagnóstico das necessidades de recuperação do órgão, este foi finalmente desmontado na semana passada, pelo organeiro Nuno Rigaud e o engenheiro Luís Jerónimo.

 

 

As peças que compõem o órgão foram numeradas e retiradas uma a uma para serem levadas até à empresa Jerónimo, em Braga, onde irão ser restauradas por uma equipa de especialistas na área, chefiada pelo organeiro Nuno Rigaud. Aí será realizado a maior parte do trabalho de restauro, que levará alguns meses a ser concluído. Após o restauro das peças que compõem o órgão segue-se a remontagem, já na igreja de S. Tiago, que levará cerca de três semanas. Prevê-se a sua conclusão para os finais de Março do próximo ano. Estes profissionais encontraram várias áreas a necessitar de intervenção, mas a madeira que compõe o órgão está relativamente bem conservada tendo resistido ao tempo, não precisando, por isso, de um grande trabalho de restauro.

O órgão irá ser restaurado tendo em conta os materiais e características originais.

 

O Órgão de Santiago

 

Foi construído pelo organeiro português, Joaquim António Peres Fontana, em Lisboa, em 1798. Fontana conta com diversos órgãos da sua autoria espalhados pelo país. Consta-se que este terá vindo de Mafra. É um órgão com todas as características da região Ibérica. Designado por Órgão de Tubos, possui sete registos o que equivale a 357 tubos, uns feitos de uma mistura de estanho e chumbo e outros de madeira.

 

As 51 teclas são de marfim. Hoje substitui-se este material de utilização proibida por osso de vaca, que produz o mesmo efeito. É constituído por um fole, à semelhança de todos os grandes órgãos. Na altura da sua construção, existiam inclusive os foleiros, uma equipa de homens que manejavam o fole, um trabalho que requeria bastante força e agilidade, e até um chefe dos foleiros para indicar a intensidade com que deviam folear.

Durante o processo de restauro irá ser instalado, neste órgão, um motor para fazer trabalhar o fole, no entanto, também será mantida a opção manual original, no caso de alguém se voluntariar para foleiro.

 

Carla Morais

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