SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 21 Setembro 2020, 12:45

Pe. Pedro Marques apresentou-se de “coração largo e forte”

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No domingo, dia 16 de setembro as comunidades de Torres Novas acolheram em clima de festa o seu novo Pároco, o Padre Pedro Marques. O antigo pároco das Lapas, onde esteve de 2001 a 2007, falou com O Almonda e partilhou um pouco do seu percurso de Sacerdote. Como nasceu a sua vocação, deixando para trás o Direito. Falou dos projetos que tem para as comunidades de Torres Novas e ainda dos desafios que a Igreja apresenta hoje.

Jornal o Almonda: Quem é o Padre Pedro Marques?

Padre Pedro Marques: Sou natural de S. Pedro, Torres Novas, mas a minha terra de infância e crescimento é Praia do Ribatejo. Tenho 43 anos de idade. Tenho um irmão e duas irmãs.

Cresci na Praia do Ribatejo, até ao nono ano frequentei o externato de Santa Bárbara, estudei também na Escola Secundária Santa Maria do Olival em Tomar e ingressei no ano propedêutico do Curso de Direito na Universidade Católica. Com 17 anos fui para Lisboa para estudar Direito e aí fiz o meu primeiro percurso académico na Faculdade de Direito da Universidade Católica. Terminado este curso,  fui leccionar para o Liceu Mousinho Silveira em Portalegre. Após um ano de leccionação, entrei no Seminário. Primeiro estive no Seminário de Almada, depois no dos Olivais. Eram estas as duas casas de formação onde os Seminaristas de Santarém se formavam naquele tempo.

JOA: Porque razão decide abandonar o Direito para entrar no Seminário?

PPM: É uma história de circunstâncias e também de sinais. Posso invocar alguns momentos que são simbólicos desta passagem. Por um lado, um certo desencanto do ponto de vista da justiça. A minha escolha do Direito teve a ver com o sentido de justiça no qual eu gostaria de trabalhar e de realizar-me como pessoa. Mas à medida que o curso avança, fui tendo a percepção que a justiça que se faz nos Tribunais encontra-se limitada a um conjunto de circunstâncias e de condicionalismos que fazem parte do sistema legal – a omnipotência da prova, por exemplo – e que por vezes, na minha opinião, não  se consegue uma verdadeira decisão justa.

Foi muito importante assistir a uma leitura de uma sentença de um caso criminal no Tribunal da Boa Hora. Estava então no 4.º ano de Direito. Era uma acusação de homicídio, e como não havia testemunhas e não tinha sido produzida uma prova suficiente para acusar o arguido, o advogado de defesa invocou que a arma tinha disparado acidentalmente enquanto era limpa. Recordo-me deste pormenor.

Célia Ramos

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