SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 7 Agosto 2020, 13:52

Internet e educação em debate nas Noites Gil Paes

Carlos Anjos, inspetor-chefe da Polícia Judiciária e Presidente da Comissão de Proteção às Vítimas dos Crimes Violentos foi o convidado para mais uma iniciativa “Noites Gil Paes” com o tema: A Internet – Novos problemas colocados na educação dos filhos e dos alunos.

O objetivo deste encontro era levar encarregados de educação, educadores e professores a refletirem nos perigos de uma utilização incorreta da internet e das redes sociais e na necessidade de proteger os jovens das consequências de uma presença pouco acautelada e inconsciente das redes sociais.

Carlos Anjos falou assim de bullying, de cybebullying, de sexting, do papel das vítimas e agressores, ou ainda do papel da família.

O especialista começou por defender que a posição dos professores está hoje mais complicada, dado que “os pais demitiram-se da função de educar.

Hoje pede-se à escola que dê o saber e a educação, quando a educação deveria estar a cargo dos pais.

Noventa e um por cento dos casos de abusos são detetados na escola. A violência doméstica é maioritariamente detetada na escola. Isto porque as crianças passam cada vez mais tempo na escola e começam a frequentá-la também cada vez mais cedo”, alertou o especialista.

Carlos Anjos explicou ainda as definições de bullying, deu a conhecer quem é vítima de bullyng e falou acerca das características comuns das vítimas.

Em relação à internet, o inspetor defende que esta não é boa nem má. O que é bom ou mau é o uso que fazemos dela. Temos de saber viver com a internet controlando danos, e o problema, é que os nossos filhos sabem muito mais de internet do que os próprios pais”, alertou Carlos Anjos que disse ter havido no ano passado entre 2000 a 2500 tentativas de suicídio, nos jovens com idades entre os 14 e os 18 anos, por estarem a viver situações de bullying.

Carlos Anjos alertou assim para situações em que as crianças cheguem a casa tristes e tenham tendência para se isolar ou mudem completamente de comportamentos, e questionou como é que é possível que haja pais que não se apercebem destas situações.

Célia Ramos

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