SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 19 Outubro 2020, 21:56

A Inauguração do Cine-Teatro Virgínia no Boletim da U. G. dos Espectáculos (1)

Em números anteriores do Jornal “O Almonda”, a propósito dos sessenta anos do Cine-Teatro Virgínia, apareceram vários artigos da autoria do jornalista Joaquim Canais Rocha, tecendo valiosas considerações sobre os momentos mais importantes da distinta sala de espectáculos.

Numa resenha em que o reconhecido cineclubista torrejano e antigo funcionário da instituição abarca a longa vida do Teatro de Torres Novas. Iniciada no remoto ano de 1877, com a inauguração do extinto Teatro Torrejano e prolongada até ao ano de 1980, com a dissolução da Empresa cinematográfica do Teatro Virgínia Lda.

Os dados apresentados são bastante significativos e pertinentes. Reveladores da grandeza de umas das históricas salas de espectáculos do país. Que se encontra instalada no actual Largo José Lopes dos Santos, desde o dia 27 de Outubro de 1957.

Acresce-nos, no presente artigo, fazer apenas referência a alguns episódios ligados à construção do Teatro Virgínia. Com especial incidência para as duas notícias sobre o teatro torrejano inseridas no especializado Boletim da União de Grémios dos Espectáculos, nos meses de Março e de Dezembro de 1956.

Se quisermos conhecer as razões que levaram à construção do Teatro é imprescindível consultar as actas do Montepio. Tarefa que nos obrigou a socorrer da incontornável obra da autoria do historiador torrejano, António Mário Lopes dos Santos, a propósito dos 150 anos da conceituada Associação. Um dos motivos assinalados prendeu-se com a urgência do Montepio de Nossa Senhora da Nazaré encontrar um espaço próprio. O anterior edifício do Teatro Virgínia, situado na rua da famosa actriz torrejana, estava condenado a desaparecer para que a Câmara Municipal (proprietária do imóvel) procedesse ao alargamento do seu mercado fechado. Facto que se associava a uma outra circunstância: o velho Teatro já não oferecia as condições técnicas de segurança e conforto exigidas a uma moderna sala de espectáculos. Também a benemérita Associação debatia-se com o problema de arranjar um edifício para a sua futura sede.

A 4 de Maio de 1951, era tomada a primeira medida efectiva para a construção do novo Teatro. Nesse dia o presidente dava a conhecer aos sócios: “ das negociações efectuadas para a compra do terreno onde [iria] ser edificado o futuro teatro e sede do Montepio”. Negociações que [nas suas palavras] tiveram o seguinte resultado: «compra de metade de uma propriedade rústica situada na Levada, mais conhecida pelo nome de horta do Silva, pela importância de cinquenta mil e novecentos escudos com escritura na mão» (SANTOS, A. Mário Lopes; “Associação de Socorros Mútuos Montepio de Nossa Senhora da Nazaré de Torres Novas – 150 Anos de História”, Gráfica Almondina, Torres Novas, 2012, pág. 543).

Na sessão de 21 de Julho era apresentada a respectiva escritura, “ lavrada no notário pelo Dr. Evaristo Batista Matos Branco, registada no livro quatrocentos e trinta e cinco, folhas trinta, [com a] data de 21 de Julho de 1951”. A acta da sessão refere também que o Visconde de S. Gião, João Mexia Silveira de Serpa, foi responsável pela maior quantia legada na compra do terreno – quarenta mil escudos (op. cit., pág. 543-544).

Entre este ano e o de 1956, o assunto torna-se recorrente nas actas lavradas: a 17 de Novembro de 1952, era “mais uma vez apreciado o anteprojecto apresentado pelo arquitecto Shiappa [Fernando Schiappa de Campos], com um trabalho interessante de desenhos adaptados e fotografias tiradas no local onde deverá ser construído o novo Teatro e futura sede (op. cit,, pág. 550). Numa outra acta, datada de 13 de Janeiro de 1954, a direcção “oficiou à Câmara Municipal, pedindo-lhe para interceder junto do Ministério das Obras Públicas, para que seja incluído, no Plano de 1954/55, a comparticipação pedida, por exposição de 27 de Junho de 1952”. Dá também conta da constituição de uma comissão que iria falar com o coronel Mário Cunha (prestigiante figura do nosso meio), para que intercedesse junto do Ministério das Obras Públicas, a fim de desbloquear o impasse (op. cit., pág. 559).

No mesmo ano era constituída a comissão dos Sócios fundadores da Empresa Cinematográfica do Teatro Virgínia, da qual fizeram parte: Manuel Lopes dos Santos, Justino Ferreira Gaspar, António Antunes Gameiro, José Jorge da Silva Gabriel e Miguel Lopes de Almeida.

A 12 de Maio de 1954, a reunião do Montepio fez-se com a presença do arquitecto Fernando Shiappa [Schiappa] de Campos, com o objectivo de “ estudar a elaboração do projecto definitivo para a construção do teatro novo, que ficaria concluído dentro de dois meses, permitindo a sua construção no 2º semestre do ano” (op. cit., pág. 561).

No ano de 1955, em sessão datada a 30 de Julho, o consócio Justino Ferreira Gaspar, delegado da empresa arrendatária do Virgínia, informou os presentes sobre as diligências efectuadas para a entrega do projecto de construção do novo Teatro (op. cit.; pág. 566).

(Continua)

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