SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 8 Agosto 2020, 06:47

Os Soldados Torrejanos mortos na Grande Guerra (1)

A Grande Guerra aproximou cruelmente os homens da morte. À medida que o conflito bélico progredia, uma lista colossal de soldados engrossava o número de mortos. Na altura do armistício – acontecido no dia onze de Novembro de 1918 -, milhões seres humanos viram as suas vidas encurtadas pela guerra. No caso Português, o número cifrou-se em vários milhares, espalhados pela Europa e África.

Alguns torrejanos sucumbiram nestas distantes paragens, privados, no curso da eterna viagem, das palavras e compaixão dos seus familiares. Jazem no meio de uma imensidão de placas de pedra, gastas pelo tempo. Onde, por vezes, não se consegue ler o nome.

Outros há que se perdeu o rastro. A brutal carnificina tornou-os irreconhecíveis. No final do combate restaram apenas um amontoado de corpos e de carne decepados.

Na altura em que decorrem os cem anos da Grande Guerra, é conveniente resgatar ao esquecimento os nomes dos soldados torrejanos que morreram no conflito. Para que os descendentes e a população da terra possam orgulhar-se dos seus antepassados. Ceifados na flor da existência, a gratuitidade do seu gesto representa o mais eloquente amor à Pátria, que não teve a igual correspondência nas entidades governativas.

Quase todos os militares torrejanos que perderam a vida ao serviço do Corpo Expedicionário Português na Europa, jazem no cemitério de Richebourg L’Avoué, em França. Ignora-se o local onde está enterrado o soldado Manuel dos Santos Sardela, nascido no lugar de Assentiz, a 14 de Novembro de 1893. Também nos destroços da infernal batalha de La Lys, desapareceu o 1º cabo servente João Lopes, solteiro, nascido a 19 de Abril de 1893, na aldeia da Brogueira. Pertencia à 3ª Companhia do Regimento de Artilharia nº 1.

Neste cemitério militar, exclusivamente português, com uma extensão numérica de mil oitocentas e trinta e uma sepulturas (das quais, duzentos e trinta e oito, não foi possível identificá-las), encontram-se os restos mortais dos valorosos torrejanos. Alguns vindos de outros campos-santos. Relembremos no presente artigo os seus nomes, como forma de prestar-lhes a nossa humilde homenagem:

O primeiro militar torrejano desta listagem é o soldado José de Oliveira Miguel Júnior, solteiro, pertencente à localidade da Mata. Nasceu a 10 de Maio de 1893, tendo embarcado para França no dia 2 de Agosto de 1917, ao serviço do Corpo de Artilharia Pesada, Batalhão de Artilharia de Guarnição. A morte surpreendeu-o em combate no dia 19 de Março de 1918. Está sepultado no cemitério de Richebourg L’Avoué, Talhão B, Fila 4, Coval 12.

António Vieira Grego, solteiro, embarcou no dia 19 de Janeiro de 1917, como soldado na 3ª Brigada de Infantaria, do Regimento de Infantaria nº 15. Natural de Torres Novas, nasceu a 2 de Agosto de 1892. Foi morto em combate no dia 22 de Março de 1918, e os seus restos mortais jazem no Cemitério de Richebourg L’Avoué, Talhão C, Fila 1, Coval 18.

O 1º Cabo, Manuel Gaspar, casado, nasceu na localidade dos Riachos, a 12 de Junho de 1894. Embarcou para França no dia 26 de Maio de 1917, integrado na 2ª Companhia Divisionária de Telegrafistas de Praça. Foi um dos soldados torrejanos que morreu no fatídico 9 de Abril de 1918 (Batalha de La Lys). Encontra-se sepultado no Cemitério de Richebourg L’Avoué, Talhão D, Fila 3, Coval 12.

O soldado clarim Manuel Lopes, solteiro, também era dos Riachos, onde nasceu a 16 de Agosto de 1895. Pertencente ao Corpo de Artilharia Pesada, Batalhão de Artilharia de Costa, embarcou no dia 21 de Abril de 1917. No dia 30 de Junho de 1918, morre em combate, em consequência da inalação dos mortíferos gases tóxicos, utilizados no conflito. Jaz no referido Cemitério, Talhão D, Fila 20, Coval 18.

O 1º Cabo António Francisco Monteiro, solteiro, era natural das Lapas, nascido a 12 de Abril de 1896. Este herói torrejano pertencia ao Corpo de Artilharia Pesada, Batalhão de Artilharia de Costa. Foi para França no dia 21 de Agosto de 1917, com a idade de 21 anos. A morte veio encontrá-lo no campo de batalha, no triste dia 6 de Julho de 1918. O seu prematuro desaparecimento, deixou profundas marcas de dor numa fragilizada mãe esmagada pelo destino. Uma perda irreparável que a acompanhou até ao final da vida.

Esta anónima mãe, com um coração do tamanho do mundo, nunca conseguiu ultrapassar a trágica morte do seu ente querido. Como última vontade, pediu para que as cartas do filho, endereçadas da guerra, fossem junto dela na sua última morada.

Os restos mortais do militar António Monteiro encontram-se no Cemitério de Richebourg L’Avoué, Talhão D, Fila 20, Coval 9.

(continua)

Nota: No artigo anterior sobre Carlos Reis, no final do último parágrafo, verificou-se um pequeno lapso: onde se lê “segunda”, deve ler-se “primeira”.

Ao leitor as nossas desculpas, pois segundo um “ antigo costume é de todos os que escrevem pedir perdão das faltas e erros em suas escrituras cometidos”, Frei Gaspar de São Bernardino, “Itinerário da Índia por Terra”, pág. 5.

4 thoughts on “Os Soldados Torrejanos mortos na Grande Guerra (1)

  1. Obrigado pelo vosso excelente trabalho que refere o meu saudoso tio Manoel Lopes.
    Finalmente localizei o cemitério que me permite visitar a sua campa

  2. Finalmente localizei o cemitério onde se encontra o meu saudoso tio Manoel Lopes, e visitar a sua campa.
    Obrigado pelo vosso excelente trabalho.

  3. Gostaria de comprar o jornal que noticia os nomes dos soldados torrejamos da 1ª guerra
    O soldado clarim Manoel Lopes de Riachos era meu tio

  4. O soldado clarim Manuel Lopes, solteiro, também era dos Riachos, onde nasceu a 16 de Agosto de 1895. Pertencente ao Corpo de Artilharia Pesada, Batalhão de Artilharia de Costa, embarcou no dia 21 de Abril de 1917. No dia 30 de Junho de 1918, morre em combate, em consequência da inalação dos mortíferos gases tóxicos, utilizados no conflito. Jaz no referido Cemitério, Talhão D, Fila 20, Coval 18.

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