SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 1 Outubro 2020, 06:54

O vespeiro dos mentirosos

Aos compatriotas que conseguem desperdiçar horas a fio na feira de distracções chamada RTP e abençoam a propaganda fotográfica das “excelências” domésticas, que mais dá se Portugal está insolvente? Preocupam-se mais com a namorada de um jogador de futebol, ou com a omnipresença de um Bicho-Carpinteiro qualquer, do que com a administração do país.

A RTP absorve 300 milhões do nosso dinheiro para narcotizar o espírito crítico dos cidadãos. Antes, era o Sócrates. Agora, é o Relvas quem põe e dispõe. Foram eleitos por partidos supostamente dissemelhantes, porém não passam de variações em dó maior. A música é idêntica. E, para quem não souber, recorremos ao “Blasfémias” (17.06.2012): “Portugal continuará a ser o único país com TDT em que a exclusiva alteração foi o consumidor ter de pagar umas dezenas de euros por um aparelho para continuar a ver o mesmo que via antes. Nem mais um canal, que isso pode ser chato para a concorrência”.

Assim se compreende que os responsáveis por tanta desgraça ainda se pavoneiem por Franças e Araganças, gastando o cacau subtraído de algum lado. Alegadamente do Estado. Quer dizer: dos impostos, taxas, coimas, multas e outras contribuições sonegadas aos eleitores que, inocentes ou cúmplices, foram na cantiga.

Contrariando o que D. Xexé Soares afirma, está hoje provado que o seu Estado-Papá deu cabo da nação. Nele, se concentra muito do que mal se fez nos últimos anos. Damos um exemplo: em Portugal, segundo o Eurostat, 80% da classe média e 85% da classe média alta recebem um vencimento do Estado. É obra! Cada vez que essa indecorosa personagem abre a boca, diz tontices de tal vulto que logo faz descer o Quociente de Inteligência nacional.

Cegos, os seus acólitos seguem-no sem aprender nada de novo. Embora noutro contexto, somos tentados a citar Jerónimo de Sousa quando declarou: “É caso para dizer que, com um pai assim o filho não vai longe” (“Público”, 17.03.2012). De facto, esta gente perdeu o “sentido do ridículo”.

Para nossa infelicidade, a herança não se evapora. Todas as semanas vêm à superfície gritantes escândalos de incompetência, irresponsabilidade e compadrio, tanto a nível nacional como autárquico. Milhares de ocorrências em que edis e outros governantes prevaricaram e nada lhes aconteceu. Tornou-se evidente que a justiça é ineficaz. Mesmo quando sentenciados em tribunal, têm escapado a tudo. Totalmente incólumes. Aqui está o Partido dos Sicilianos no seu melhor.

Por um lado, Sócrates, Felgueiras, Vara e “tutti quanti”; por outro, Isaltino, Loureiro, Oliveira e Costa, Relvas, etc. Mas, como matraqueia o monarca, a culpa é da Merkel. Jamais de sua majestade, nem da maior casta de oportunistas que nos tem assaltado em nome da “democracia”. E o Zé Povinho, divertido com os 3Fs (Futebol, Fátima e Fado), não se cansa de bater palminhas.

Uma distinção que deixa marca. Na Alemanha, o presidente abusou do poder e pediu a demissão. Responde em tribunal. Um ministro falsificou o percurso académico e leva o mesmo caminho. Uma deputada, idem aspas. Na Tretalândia, ministrecos à la Relvas e autarcas do mesmo estilo podem mentir à descarada.

Se alguém ousa questionar o que quer que seja, logo vêm com os advogados pagos pelo Estado ou pelos munícipes. Queixam-se que estão a ser difamados. Alguma instância internacional devia fazer algo, antes que a bolha rebente. Apupos e assobios não faltam. E, com o crime que vitimou uma Presidente de Junta, a situação ultrapassou as raias do concebível.

A mecha está ateada. Por causa destes figurões que enriqueceram à custa de todos nós, milhões encontram-se sem salário, a pagar um exagero em impostos, mais pela água e pela eletricidade. Enquanto o preço do gás baixa noutros países, em Portugal aumenta. É uma festa!

E nem falamos das portagens em estradas que foram, em grande parte, construídas com fundos europeus e, em seguida, brindadas pelos eleitos ao sector privado. Por pura coincidência, abandonada a política, em pouco tempo, estes “governantes” aparecem integrados na rica nobreza dos pseudogestores. Com patrimónios de premiados da lotaria. Entretanto, esvaziaram-se as finanças, afundou-se a economia e empiorou a esquizofrenia social.

Reconheça-se que os espertos são espertos! Há quem os admire e vote neles. Contudo, também se constata que houve quem não alinhasse com esta gatunagem, quem recusasse servir de ascensor para fazer subir essa gentalha para o poleiro.

Eles bem tentam usar detergente, mas não conseguem lavar os malefícios dos últimos anos. Vão dar banho ao cão! Ou melhor: lavar os popós que a temperatura está alta e, desta forma, evitariam mandar a fatura para o tesouro público.

O mesmo se aplica às câmaras. Seriam menos uns euros na roubalheira do IMI que os munícipes teriam de pagar. E, se por ventura alguém arrisca reclamar, terá de liquidar a respectiva taxa para perguntar como é consumido o dinheiro público. Se insistir no direito de questionar essas despesas, leva logo com uma carta do “advogado”.

No antigamente, um cidadão era denunciado à PIDE para lhe “tratar da saúde”. No presente, é intimidado por outros meios. Não nos mandam todos para o Tarrafal porque podíamos desvelar alguns mistérios caboverdianos. Ponto final e mudemos de parágrafo.

Andam a gracejar de esguelha, mas nós recusamos a sedentarização das certezas. Após tantas mentiras, surge a verdade nua e crua.

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