SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 8 Agosto 2020, 01:25

Verão com “Bucha e Estica”

Chegou o mês de Agosto e, com ele, a continuação de dias longos e preguiçosos. Se porventura alguém solicitasse recordações de verões torrejanos dar-lhe-íamos uma manta de diversas cores: leituras no quintal a dar para o Almonda, pescarias em que era raro apanhar algum peixe e intermináveis partidas de “hóquei” nas travessas da rua Alexandre Herculano. Recordaríamos também alguns parceiros de brincadeiras. Os irmãos Baltazar Farinha junto à ponte da Levada, mais adiante em direção ao Largo da Botica, o Jorge Serra e os irmãos Fonseca, o Zeca Fragoso na Travessa da Bácora e, na da Hortelosa, o António Júlio Martinho. De igual modo, o Lavos, que vivia num primeiro andar por cima da padaria dos Plexas, e o Orlando, na Tenente Valadim.

Nos anos mil novecentos e troca o passo, nos meses de canícula, os filmes do Cine-Teatro Virgínia eram exibidos ao ar livre. Por outras palavras, eram projetados num ecrã de cimento caiado de branco que limitava a sudoeste o pátio do velhinho Colégio Andrade Corvo. E vem isto a propósito de nos termos convencido que foi nesse local que vimos, antes do filme principal, um pequeno documentário sobre o Bucha e o Estica [Laurel and Hardy]. Ou, pelo menos, assim está registado nas brumas da memória.

Passados tantos anos e para ocupar umas horas de molenga estival, resolvemos ir ver um recente filme sobre este duo que tanto divertia a “malta”. Quiçá para reviver as gargalhadas de então. Não nos dececionou e recomendamos esta nova versão de “Stan and Ollie”. Desta vez, os artistas que desempenham os papéis de Bucha e de Estica são respetivamente Steve Coogan e John Reilley. É com a mesma vivacidade que usam a linguagem corporal, os maneirismos e também as rotinas da célebre dupla. Jon Baird (o mesmo diretor de “Filth”) foi bem-sucedido na análise da amizade que unia estes comediantes, uma verdadeira homenagem a dois gigantes do cinema. O enredo é simples, mas hilariante. Em 1953, vários anos depois de terem feito o seu último filme e com a popularidade em declínio na América, Stan Laurel e Ollie Hardy vão efetuar uma “tournée” por pequenas cidades inglesas. Surpreendidos por não conseguirem atrair espectadores e pelo sequente desinteresse do agente que os aloja em hotéis de terceira classe, é o humor das esposas Lucille e Ida que salva a situação. Após uma série de peças publicitárias na televisão, seguem para a grande “final” em Londres e é de propósito que não descrevemos o desfecho da história. Uma surpresa. Tal como as cigarras de La Fontaine, não desperdiçamos os prazeres estivais. As formigas que trabalhem.

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