SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 10 Julho 2020, 22:40

“Palavras, palavras, palavras”

“Palavras, palavras, pala- vras”, disse Hamlet – o príncipe dinamarquês que utilizava palavras soltas e aparentemente sem sentido. Estamos de volta à escola, ao trabalho, à rotina quotidiana. Voltámos para casa em antecipação do outono e, mais tarde, da friagem invernal. Mas, como dizem os brasileiros, “deixem pra lá”. Vivemos numa era de “pós-verdade”, onde factos são considerados ajustáveis e irrelevantes. Portugal não é excepção. Com efeito, foi o que constatámos em visita recente. É assombroso o paleio dos nossos políticos e da maioria da comunicação social. Assim se anestesia o pensamento crítico. Por ex.: nos fogos de Pedrógão Grande e no roubo de armas em Tancos. O contraditório é inexistente e os média, que deviam de servir de contrapoder, encontram-se comprometidos com as caranguejolas. A nação corre o risco de retornar a um regime de pensamento único. Quanto aos paladins de partidos, que fecham os olhos a situações que antes seriam inaceitáveis, deviam ser coerentes com as suas ideologias. Deixem-se de nhenhenhéns. Repare-se que, quer na Antena 1 quer nas RTPs apenas ouvimos loas ao governo. Como no tempo do Doutor Salazar. Mete dó constatar a apatia de milhões de cidadãos à lavagem de cérebro. Em democracia (na Escandinávia em particular), já teria havido demissões após crises desta envergadura. Se ocorrer um sismo de ma- gnitude 7, duvidamos que o actual governo consiga gerir a situação. A ministra Constança proferirá meia-dúzia de idiotices sem nexo e até pode acontecer que o ministro Azeredo Lopes repita o que disse sobre o assalto ao paiol: “no limite, pode não ter havido furto nenhum”. Só substituirá “furto” por “sismo”. Como ainda é Verão, continuem a esquecer a realidade. Ide à praia para apanhar um pouquinho de sol. Faz bem à saúde física e… mental. “Carpe diem”! Sim, beneficiem por uns anitos. A vida é curta e é melhor aproveitá-la enquanto houver dinheiro. Sem recorrer às tragédias shakespearianas, tal como os governantes, “garantimos” que jamais faltarão muitas “palavras”.

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