SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 8 Agosto 2020, 07:45

A pensar nas eleições europeias

Após as festas de abril, chegou o período de reflectir sobre as eleições europeias. É já a 25 de maio que cerca de 413 milhões de eleitores terão a oportunidade de sancionar a má gestão da crise que assola o velho continente. Quem ainda acredite que pode influenciar a hegemonia de alguns partidos, não deve esquecer que os bem-pagos e bem-mordomados deputados irão “representar-vos” por cinco anos no hemiciclo da UE.

Lustro vai e lustro vem, renovam-se as ladainhas. No entanto, há quem não tenha olvidado que a acessão de Portugal à então CEE e, mais tarde, à moeda única, não foram referendadas pelos cidadãos. Foram os politiqueiros do costume que venderam a ideia que a Europa seria o remédio santo para as dificuldades dos portugueses. Um novo ópio do povo.

Nalguns países da periferia, houve partidos a incutirem na mente dos votantes que a riqueza das sociedades mais organizadas seria partilhada com os que não conseguem fazer nada com pés e cabeça. Era esse o ideal europeu de milhões de eleitores. Chovia dinheiro fácil e barato. Vivia-se numa euforia que permitiu excessos de bradar aos céus. O despesismo público, o crédito à mão-cheia e o consumo descontrolado enraizaram-se na nação. Famílias, empresas, autarquias e governo central embarcaram no mesmo comboio.

Uma prosperidade baseada em falsas premissas, sem qualquer consistência. Andavam todos tão na moda que até se convenceram que residiam num país rico. Nunca questionaram os dirigentes da propagandeada “democracia” que viviam em total promiscuidade com interesses financeiros, numa bancocracia que acabou por os engoliu por completo. Como ouvimos um amigo dizer, se a demagogia pagasse imposto, a dívida que eles criaram já estaria saldada.

De repente, foram confrontados com a factura. Foi um salve-se quem puder e desempregados em busca de trabalho, jovens a abandonar o país, pensionistas e reformados sem meios para sobreviver, todos eles descobriram por experiência própria que foram vítimas de uma ilusão. Apesar de tudo, continua a haver quem não tenha aprendido uma lição da história: apenas se deve gastar o que se tem, só gera receitas o que se produz.

Nesta conjuntura, o melhor será apostar na esperança como antídoto para a abulia generalizada. Poderia ser esta a essência da mensagem a transmitir aos cidadãos enganados pela partidocracia que arruinou as suas vidas.

A crise expôs as fraquezas da economia e os erros de palmatória cometidos por este governo mai-los que o antecederam. O modelo de desenvolvimento exige uma restruturação urgente, sem deixar de respeitar as obrigações colectivas. Apesar das tremendas lacunas no sector da justiça e não ter diminuído o número de figurões a enriquecerem à custa dos contribuintes, nota-se um despertar prometedor.

Ainda estamos a ponderar esta matéria. Contudo, nesta linha de pensamento, julgamos que seria de alguma utilidade se os votos em branco fossem contabilizados de maneira inequívoca.

Recordamos ter lido algo neste sentido no jornal “Le Monde”. Quando o socialista François Hollande assumiu a presidência, o número de franceses que votaram em branco rondou dois milhões e meio. O vencedor recolheu 51 % dos votos “exprimés”, mas somente 48% dos boletins achados nas urnas. Faz uma enorme diferença, pois a nulidade que lidera hoje a França teria sido forçada a uma segunda volta. De facto, segundo a constituição, o presidente é eleito “à la majorité absolue des suffrages exprimés”.

Ora bem, tudo depende da maneira como são calculadas as percentagens. Dê por onde der, em maio será por certo menor o número de franceses que escolherão o PS. Então não é que, sem debate no Parlamento, “Monsieur le Président” corta cinquenta mil milhões de euros de um dia para o outro, inclusive na função pública e nas reformas?

É inegável que estes socialistas de palavreado também são responsáveis pela hecatombe económica e social da terra das balelas, com “liberté, égalité, fraternité” à mistura. Só para dar nas vistas.

Em França como em Portugal, muitos preferirão partidos da esquerda verdadeira ou…perigosamente à direita. Previmos o aumento dos que compreenderam que votar em branco é um gesto político. Os cidadãos têm o direito de não se identificarem com as opções propostas nos boletins do escrutínio.

Num contexto de prepotência das listas partidárias, trata-se com efeito de um assunto que merece ser repensado.

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