SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 7 Agosto 2020, 13:00

Guardar o Templo e afastar a espada

Há muitos anos a semente de uma planta rara e muito apreciada, foi lançada à Terra. No meio das encruzilhadas de um povo, germinou onde tudo fazia crer que acabaria por perder força e secar. Mas um jardineiro passou e cuidou da pequena planta, fazendo-a crescer, com o adubo necessário. Aquela planta ao crescer não estava só: naquele canteiro outras culturas quiseram ocupar o mesmo espaço e insectos, pássaros, e roedores queriam explorar as suas muitas potencialidades e virtudes, desde a folhagem, aos ramos e frutos.

Foi preciso que o jardineiro pedisse ajuda ao céu para a proteger, mas sobretudo a inspiração e a sabedoria necessárias para ao longo do tempo cuidar agora daquela árvore frondosa, tornando-a mais robusta e útil na sua história. O cuidador entendeu que teria de encontrar novos suportes, por vezes fazer poda aos ramos que iam envelhecendo ou secando, para permitir que nela outros novos rebentos com mais vigor pudessem surgir e dar depois ainda mais frutos. Houve tempos em que alguns ramos ganharam peso e por não estarem bem suportados, acabaram por se rasgar da árvore, acabando inexoravelmente por cair e secar, entrando depois em decomposição.

Muitas gerações viram aquela árvore e dela receberam abrigo, sombra, lenha, resinas, aromas…, frutos! Uns souberam respeitá-la, outros foram apenas seus parasitas e se pudessem, aniquilavam-na a troco de caprichos e egoísmos. Hoje, aquela árvore é imensa e continua a crescer, com uma certeza: veio para ficar, ainda que muitos dos que por ela passam e por vezes dela se servem, não a compreendam e não saibam a sua história feita de tribulações para aqui chegar e se projectar no futuro. Por isso é preciso que o jardineiro não se esqueça da raiz que já não se sabe bem até onde chega, por ter entrado nos sulcos mais profundos da terra, acabando por a impregnar com a sua presença serena. Este grande jardineiro tem de olhar para a árvore e enquanto a admira, fazer que os seus usurpadores a não comprometam.

Nós que temos a sorte de poder ver esta árvore, precisamos de aprender a conhecer a sua história, para também a poder amar: a semente é Cristo; o jardineiro é a Igreja; a Terra é a sociedade; os ramos secos são as dilacerações e erros cometidos ao longo da sua história; o adubo são as espiritualidades e carismas que foram surgindo sempre em comunhão com a árvore, (Francisco de Assis, Teresa D’Avila, Teresa de Calcutá… e tantos outros); os frutos que lhe dão continuidade são o amor; os parasitas…, bom, esses todos conhecem!

Temos de estar atentos e discernir, olhar esta grande árvore e tratá-la como verdadeiramente nossa, como a melhor herança que recebemos, protege-la e afastar os seus vendilhões. Devemos oferecer o melhor de nós – a inteligência, a vontade e o testemunho de vida – e construí-la sempre de novo, para que possa continuar a sua nobre e abençoada missão, sendo a referência de todos ao longo da história. É preciso afastar as espadas que a golpeiam, colocar os seus ramos apontados ao sol e dar-lhe terra para que cresça e cumpra a sua missão. É verdade que ao seu lado há outras árvores, mas aquela é verdadeiramente a nossa, pela qual a semente desta história respira.

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