SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 7 Agosto 2020, 13:07

A Família e a Educação

 

A cidade dos nossos dias concentra cada vez mais população e intervenção social. É nela que se desenrolam muitos processos sociais que podem conduzir à harmonia, ou desarmonia social. A sociedade é o puzzle que resulta do conjunto de aglomerados populacionais, dessa teia de contactos e realidades que se criam, desenvolvem e sustêm a partir da acção humana, desde as actividades simples, até às actividades mais complexas que dão vida e estrutura à composição social. Surgem as instituições particulares e públicas, cada uma vocacionada para aglutinar uma realidade particular da vivência do grupo, do ponto de vista da educação, da saúde, justiça, economia, trabalho, lazer, arte, desporto, assistência social, defesa, governação, espiritualidades.

 

A família joga aqui um papel fundamental, porque é a primeira realidade que acolhe cada cidadão e lhe oferece personalidade. É também na família que o indivíduo recebe o primeiro gesto de amor, a primeira estima, a primeira assistência médica, a primeira consciência de si, da sua diversidade e do mundo envolvente, a linguagem, os exemplos a protecção social, os afectos e o sentido da transcendência, a fraternidade.

A família não é neste contexto uma instituição de duração anual, secular ou milenar. É antes uma organização que antecede o Estado, porque resulta naturalmente da convivência humana que pressupõe o encontro dos géneros e acolhe os seus frutos: os filhos. E estes carecem de um ambiente natural que lhes permita a existência e enquadramento ecológico.

Portanto, negligenciar ou valorizar esta célula da composição da cidade, é cada vez mais uma questão vital para a construção de um país.

 

A educação, por sua vez é um instrumento que cada pessoa e entidade com responsabilidades governativas têm de valorizar.

Enquanto mecanismo de integração humana e antecipação do desenvolvimento futuro, representa uma possibilidade imensa para potenciar capacidades individuais e colectivas e deve ser um investimento na construção da fraternidade universal.

A família é a primeira instância educadora e os seus intervenientes (os pais ou futuros pais) devem ser preparados para esta nobre missão, tomando consciência de que educar não é um acto espontânea, implicando – ainda mais na sociedade actual em mudança rápida – a tomada de consciência dos desafios e das capacidades técnicas que lhe estão associados.

Ou seja, se hoje qualquer pessoa que pretende criar em sua casa…, nem que seja peixes, tem de estudar as características da espécie, as condições de sobrevivência e de saudável crescimento, porque é que para criar Humanos, como pessoas, não há-de ter de estudar previa e aturadamente essas mesmas características, de modo a obter o máximo sucesso nessa missão?

A escola é depois da família, a instituição mais capaz de integrar a formação humana. É nela que todos nós apostamos para dar aos nossos filhos os conteúdos de instrução técnica e educação aos valores, que permitem ao jovem encontrar na sua vida o justo equilíbrio entre o domínio da racionalidade e da vontade. Para isso todos os agentes educativos têm a grande missão de acolher estas pessoas jovens, como barro moldável, para criar seres sublimes e úteis à saga humana de colaborar no destino histórico da criação.

 

Para além dos aspectos instintivos inerentes aos seres vivos, o ser humano contém uma carga cultural e espiritual imensa, que não pode ser desvalorizada. De outra forma, corremos o risco de estar a criar pessoas para o fracasso e a colocar na sociedade verdadeiros bichos humanos que hão-de tornar selvagem este nosso mundo.

Completam a actividade escolar outras instituições que felizmente estão presentes um pouco por todo o lado: entidades e pessoas bem preparadas e capazes de poder dar uma ajuda nesse âmbito. Cada um deve estar atento, ser exigente e procurar essa ajuda, tanto para se formar, como para se reciclar ou reforçar competências de educador no seio familiar.

Partilhe!
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
Print
Share on reddit
Reddit
Jornal O Almonda, 2020 © Todos os direitos reservados