SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 7 Agosto 2020, 14:10

Maria e a fé dos homens

 

Vai já quase a meio este ano de 2009, correndo sob o sentimento de crise. É um momento de viragem de muitos princípios e crenças, que se expandiram com o fim da 2ª Guerra Mundial e o fim da Guerra Fria: nos EUA tinha rebentado no final de 2008 uma crise financeira e económica sem precedentes que rapidamente se estendeu ao mundo inteiro; a imagem da América como defensora dos direitos humanos, paradigma da liberdade e do sucesso individual vinha-se desmoronando com as políticas de J. W. Bush; a Europa entrara numa crise de lideranças e de civilização, não sabendo que rumo escolher para si própria, com reflexo nas indecisões políticas e sociais; os novos países emergentes (China e Índia entre outros) a braços com problemas éticos, ambientais e de direitos humanos fragilizados por um materialismo consumista em expansão; muitos países árabes e africanos a saque nas mãos de caciques e ditadores; a Grande Rússia a sofrer as consequências da acção das novas máfias…

 

Em Portugal a consciência de que talvez as maiorias parlamentares, não resolvem afinal, as necessidades do país, acomodadas como estão a lógicas partidárias autistas que representam apenas corporações de interesses e não conduzem a um melhor desenvolvimento e bem-estar de toda a população, com reflexos na degradação das instituições como a justiça, a autoridade do Estado, o emprego, saúde, a educação, a família e o trabalho…., tem conduzido a população e os jovens em particular, a um alheamento das causas comuns, a um mutismo que atira cada um para uma vida isolada, entrega a si mesmo ou então às escolhas virtuais que o ciberespaço hoje permite.

 

Sinais de mudança

 

Começam a ser visíveis sinais de mudança, mas que trazem consigo muita dor, muitas dificuldades de adaptação, conduzindo a um descrédito nas instituições económicas e financeiras (veja-se os bancos), descrédito na criação de riqueza (repare-se na crise da construção e mercado de compra e venda de casas), descrédito na estabilidade do emprego que arrasta consigo o adiamento de decisões de despesa (poupanças na compra de carros, férias, etc.) descrédito num futuro melhor para as famílias (que leva a um desespero face à doença, à velhice, à natalidade, à incompreensão).

 

Na maior potência mundial, elegeram Barack Obama, um afro-americano, que promete uma inversão de rumo da política norte-americana; no eixo económico, a conferência de Davos com as decisões das 8 maiores potências mundiais, transforma-se em G20, com a entrada em cena de um consenso mais alargado e representativo das sensibilidades e vontades de povos até aqui sem voz, agora um grupo de 20 países;

 

Ao nível filosófico, começa a perceber-se que a humanidade tem de ter limites na corrida desenfreada ao consumo e sacrifício dos recursos naturais. Também se começa, ainda que tenuemente, a perceber que o centro da natureza não é o Homem e que assim sendo ele acaba refém das suas próprias acções e escolhas desequilibradas que não têm em conta um sentido cósmico.

 

Há cada vez mais pessoas com sentido crítico face a este descontrolo e essa sensibilidade tenderá a conduzir a acções voluntárias de promoção de ideais e a agregar-se sob a forma de ONG’s (organizações não governamentais), que agem em torno de objectivos e promoção de modelos e estratégias humanitárias comuns, que tanto podem assumir cariz político, solidário, ecológico, religioso, económico, etc.

 

Maio é sempre o mês da contemplação de Maria

 

Portugal e os portugueses, bem sabem que Nossa Senhora, a sua padroeira é motivo de fé e esperança. Ao longo da história do país o povo sempre soube escolher os momentos de dificuldade, mas também de bonança, voltando-se para a mãe de Jesus Cristo e dirigindo-Lhe preces e graças para iluminar a acção de cada um. Em particular, o país inteiro soube acolher esta mensagem em dois momentos a braços com enormes dificuldades: a escolha da Sra. da Conceição como padroeira de Portugal, por D. João IV, em 1640, e depois já no séc. XX, com as aparições da Senhora de Fátima aos pastorinhos.

 

Está enraizada nas crenças e na sensibilidade das pessoas a intervenção divina de Maria, aquela que é Mãe da Igreja e, tendo proclamado o seu “sim”, é exemplo humano de quem, como nós, sabe no meio das tribulações do mundo, fazer silêncio para acolher no seu seio a vontade de Deus, ser esposa e mãe, educar um filho, criar família, ser caridade para os outros, assumir a desolação, sentir a dor da humanidade, perder e encontrar um filho, ter em vista o céu.

 

Assim, o povo canta as ladainhas e procura espelhar-se nelas, constrói templos e organiza festas para espalhar sobre a comunidade as virtudes desta Mãe amável. Este mês de Maio, tempo dedicado particularmente ao culto mariano, tem por inspiração as aparições de Fátima. Na vida da Igreja repetem-se orações familiares e públicas, cultos vividos um pouco por toda a parte, como a oração e meditação do Rosário, os cânticos litúrgicos, manifestações, conferências culturais e as procissões. É um mês de muita luz!

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