SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 21 Setembro 2020, 14:31

Ruínas em tempo de férias

Nos dias de férias que passei na ilha de São Miguel fui visitar um hotel abandonado na Lagoa das Sete Cidades. A degradação é quase completa no seu interior, mas se subirmos ao terraço ficamos deslumbrados com a grandiosa paisagem. Foi o que fiz. Por brincadeira até lhe chamei o hotel assombrado. Pensei que ninguém tinha curiosidade em percorrer os corredores imundos de lixo, humidade e frieza. Enganei-me. Verifiquei que todo o turista não deixa a ilha sem ir conhecer as profundezas do hotel Baía Palace. Um local que foi mobilado e que muita gente ocupou os quartos. Mas tudo se perdeu e restam apenas vestígios das cozinhas e de algumas peças sanitárias. Era bem frequentado e até tinha uma discoteca. Ao entrar senti-me parte do filme o Titanic quando a tempestade fustigou o navio. As paredes são frondosas; as escadas estão em cimento com aviso nas paredes que não há corrimão. Houve ali uma mistura de sentimentos. Senti a tristeza a bailar com o fascínio dum lugar mítico da ilha. Parece tudo tão perfeito e de repente o caos atrativo. É caso para dizer que o monstro se transformou em beldade.

Ao voltar a Torres Novas deparei-me com várias notícias sobre a pouca adesão dos turistas na nossa cidade. Porque será? Será que a culpa é dos promotores da região? Será que é da falta de dinheiro? Ou será que não é da falta de força de vontade da Autarquia em promover o que de bom cá temos? Há sempre desculpas para tudo quando não se consegue olhar para dentro de cada um.

Ora vejamos: no domingo alguém se queixava nas redes sociais que o castelo estava fechado; as ruínas romanas e volto a frisar que durante a semana estão fechadas; o Paul do Boquilobo tem uma casa no local deplorável, não tem sanitários e o local está empestado de mosquitos; as piscinas (é de bradar aos céus) estão encerradas ao domingo e aos feriados no Verão; no jardim das Rosas a relva está gasta, não existe umas mesas para um piquenique; o rio Almonda não oferece um passeio de barco, como se faz na vizinha cidade de Tomar; os sanitários do jardim continuam apenas com o dos homens abertos; não há recordações de cá á venda nas lojas porque resolveram acabar com a loja de artesanato; durante a noite a cidade está quase às escuras.

Pergunto à senhora Autarquia porque não se faz algo para melhorar? Temos tanta infra- estrutura, temos bons sítios. Podíamos ser uma cidade brilhante e podíamos ver as ruas cheias de turistas, mas com este marasmo de sermos os coitadinhos, continuaremos a não ter turistas que se prendam aqui. Teremos apenas o turista passageiro que procura noutros locais o que não encontra aqui.

Serei muito cruel? Nada disso, sou apenas uma cidadã que cada vez observa no abismo em que a sua terra está a mergulhar.

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