SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 28 Setembro 2020, 13:55

Cenas que chocam a sociedade

 

Na passada 3ª feira mais um dia de mercado na nossa cidade. Precisava duns sacos de plástico e lá fui eu. Feita a compra, como qualquer pessoa, fui dar uma espreitadela pelas bancas cheias de roupa primaveril e não só, a preços saborosos. Gosto de mexer, remexer, experimentar e depois comprar se me agradar. Gosto dos feirantes, cada um a regatear o seu preço via altifalante ou a gritarem em plenos pulmões. Gosto do frenesim daquela barulheira, mas sempre atenta a não tropeçar naquele pavimento pouco amistoso do mercado. Já ouvi queixas dos próprios vendedores insatisfeitos com tal chão. Fui andando mais uns passos e parei junto duma banca apinhada, na maioria, mulheres de todas as idades. É um sucesso aquela banca, porque tem vestimentas bonitas a um preço muito em conta.

 

De repente, aparece um menino no lado interior da banca. Bem vestido, cabelo castanho – claro. Devia ter uns 2 aninhos mais ou menos. As vendedoras perguntavam-lhe o nome, o nome da sua mãe, mas a criança não respondia. Estava alheado de tudo e confuso. Apenas dizia a palavra mãe. Estava perdido, sem dúvida. Não era filho de nenhum feirante. Através do altifalante o vendedor apelou para a criança perdida. Ninguém a apareceu. Depois outra vendedora pegou nele ao colo. A criança esperneou perante a desconhecida. Ela falou-lhe com voz meiga e doce, abraçou-o. Caso não o viessem buscar teria de ser levado à esquadra da polícia. No ar, sentia-se preocupação, Felizmente, não foi preciso entregar a criança às autoridades, porque num ápice eis que aparece a mãe do petiz e sem ninguém esperar dá-lhe uma bofetada. Fiquei boquiaberta com tal cena. O menino a chorar e aquela mulher séria e insensível a tratar mal o filho. Não sou mãe, mas tive vontade de bater também na mulher, aliás todos comentaram que quem devia levar era ela. Não digo, que não estivesse nervosa, mas devia ter controle e não fazer aquilo. Podia agradecer, pegar no filho e partir. Mas, não, teve uma atitude mesquinha. Após este triste episódio, é que se deve ter apercebido do erro e então foi-se embora com o filho nos braços, fazendo-lhe festas.

 

É claro que todos sabemos que há crianças com muita energia, que não param um segundo sequer. Mas também temos consciência que existem muitos pais que não ligam aos filhos. Noutro dia também no mercado a minha mãe assistiu a uma cena semelhante. A mãe foi para pagar o que tinha comprado, mas disse que primeiro tinha de ver onde estavam os filhos. Quem leva crianças para sítios destes onde não só se vende roupa, mas também brinquedos há que ter atenção redobrada para com eles. Já não basta as cenas que vemos na televisão de crianças que morrem dentro dos carros, porque os pais se esquecem deles; de crianças que morrem em casa porque alguns pais não guardam os detergentes em locais seguros; de crianças que desaparecem no mar, porque veio uma onda repentina; de crianças que são violadas, aliciadas para o mundo cruel da droga, prostituição. Caros pais e mães é preciso estar atentos aos vossos filhos, participar, conversar, vigiar o crescimento deles. E por favor, não façam distinções entre os vossos filhos.

 

Esta cena do mercado chocou-me, mas mais chocante é a cena do austríaco que raptou, violou a sua própria filha, teve filhos – netos e manteve-a em cativeiro tantos anos. Dá que pensar não é verdade?

 

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