SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 1 Outubro 2020, 05:22

Ainda as Portagens na A23 (2)

 

Afinal o assunto das mais que prometidas Portagens na A23, que sem dúvida nenhuma, era uma preocupação para todos os residentes nesta área alargada do Médio Tejo, para a economia regional e até também para os utentes e serviços desconcentrados dos três Hospitais que formam o CHMT, está na ordem do dia porque a todos complica a vida já tão complicada. Mas, pelo que abaixo se relata, já deixou de ser uma preocupação para passar a ser uma nua e crua realidade a curto prazo. Vamos pagar!

 

Assim, através de O Mirante de 03 Fevereiro 2011, soube-se que a Assembleia da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo foi recebida recentemente por uma Comissão Parlamentar na Assembleia da República, onde foram expostas algumas das preocupações da região e lembrado o facto do troço entre a A1 e Abrantes não ser SCUT mas sim propriedade plena das Estradas de Portugal.

 

Da mesma notícia ficou-se a saber que os deputados presentes na audiência, PS, PSD e PCP, “concordaram com os argumentos apresentados pela Comunidade Intermunicipal e mostraram-se disponíveis para pressionar o Governo a esclarecer a questão”.

Ainda através do mesmo jornal soube-se que “o deputado do BE, José Gusmão, eleito por Santarém, entregou na Assembleia da República um projecto de resolução que visa a suspensão do processo de introdução de portagens na A23.”

 

Também O Almonda, edição de 4 de Fevereiro, noticia “a audiência na Comissão Parlamentar de Obras Públicas, Transportes e Comunicações, onde a Comunidade Intermunicipal alertou não só para as consequências que a medida “teria na vida das populações, mas como também que o troço não faz parte da SCUTVIAS”, relatando ainda o contacto feito com a “concessionária que esclareceu que a sua interferência neste troço se irá cingir à instalação dos pórticos de portagem, sendo que a gestão continuará entregue à Estradas de Portugal, como se verifica actualmente.” A terminar a notícia, O Almonda ainda refere a tentativa de contacto com a Estradas de Portugal que não se disponibilizou a confirmar aquelas informações.

 

Ainda o Jornal Torrejano se refere, na sua edição de 4 de Fevereiro, ao protesto da CIM do Médio Tejo contra as portagens na A23, referindo até que no Norte, existe um “troço Ílhavo/Aveiro (Ponte da Barra até ao Estádio), onde se chegou a aplicar pórticos mas que nunca entraram em funcionamento”.Mas nem com esta denúncia o caso da A23 terá merecido qualquer atenção especial que nos deixasse alguma esperança.

 

Foi importante que, pelo menos, estes três jornais regionais se referissem a esta tomada de posição da CIMMT, mas infelizmente este protesto acabou por não merecer honras idênticas dos jornais ditos nacionais e muito menos das televisões. Talvez tudo isto queira dizer que a forma como o protesto foi divulgado não terá motivado esses órgãos de comunicação social. De qualquer forma, se os objectivos da CIMMT eram que os jornais regionais divulgassem a iniciativa para mostrarem trabalho, isso foi conseguido. Mas porque o problema ultrapassa e muito, as fronteiras do nosso regionalismo, foi pena que não se tivessem desenvolvido as manobras suficientes que levassem a outra comunicação social a interessar-se pelo problema. Foi pena porque poderia ter dado outros resultados.

 

Toda esta movimentação de última hora, parece provar, pese a imodéstia, que o meu artigo publicado neste jornal na edição de 14 de Janeiro tinha toda a razão de ser e que afinal temos mesmo que pagar portagens até quando precisarmos de ir aos Hospitais de Abrantes ou de Tomar. E quando um doente de Abrantes, ou de Tomar, tiver que vir à Cardiologia ao Hospital de Torres Novas, também vai pagar portagem. Terá sido ou não, pela publicação do tal artigo que estas forças se começaram a movimentar, mas isso pouco ou nada interessa. Mas foi uma movimentação em vão, porque sem chama, sem garra, sem mobilização das populações e nem sequer dos jornais ditos nacionais. O que interessaria era que as forças vivas que nos representam soubessem apresentar, a quem de direito, as razões perfeitamente claras que nos assistem. Mas não o conseguiram, para nosso mal.

 

Mas uma vez que não encontraram o engenho e a arte suficientes para conseguirem convencer os senhores das nossas razões, já que temos que pagar todos para que o défice desça mesmo, que proponham também portagens de Alverca para Lisboa, dos Carvalhos para o Porto e também nas várias pontes sobre o Douro, que custaram, como este bocado da A23 custou, dinheiro ao Estado Português noutras épocas, mais ou menos distantes. Tudo isto para que haja um esforço generalizado em todo o País e uma sintonia geral, como fez o Presidente da Câmara do Porto, no principio da polémica, em relação às outras SCUTS, para além das que de algum modo envolviam a capital do Norte. Sem querermos alimentar polémicas estéreis ou bairristas, sempre temos que dizer que amor com amor se paga. Eles que também paguem as Pontes por onde andam todos os dias. E mesmo que amanhã se tenha que pagar para ir ao Terreiro do Paço, a nós não nos fará grande diferença porque só lá vamos quando o rei faz anos. Eles que são utilizadores frequentes, que paguem para saberem o que custa a vida dos provincianos. E nós, que somos da província, não somos parvos. Querem fazer-nos passar por tal, mas estão muito enganados.

 

Quando lá para Abril se começar a pagar, quando lá para Abril o trânsito se começar a engarrafar nas Avenidas e nas Rotundas destas Vilas e Cidades, quando lá para Abril os estrangulamentos de via, como é o caso de Tancos, começarem a complicar o trânsito local, quando lá para Abril a Ponte de Constância não suportar tanto trânsito, talvez os senhores autarcas comecem a pensar de modo diferente, quiçá angustiante, quando virem o património dos seus concelhos a ser vandalizado pelo excesso de trânsito para que as suas infra-estruturas não estão minimamente preparadas. Talvez nessa altura, porque não existem mesmo alternativas à A23, venham a pensar pedir a reactivação plena da Nacional 3, com as variantes suficientes que impeçam o caos do trânsito dentro das localidades. Mas nessa altura já será tarde porque não há dinheiro e já não haverá QRENs que nos salvem. Essa é que essa!

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