SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 28 Setembro 2020, 13:53

Ano Novo, vida velha…

Quando eu era menino e moço nunca ouvia falar do Ano Novo mas sim do Ano Bom que estava para chegar. Era isso mesmo que as pessoas esperavam. Que o Ano fosse Bom porque de mau estavam mais que fartas.

Como nos últimos anos tudo se tem agravado, sempre para pior, parece que as pessoas já não aspiram ao tal Ano Bom e ficam-se pela esperança de o Ano Novo possa trazer algo de melhor. Mas tem sido uma desilusão dolorosa, como bem sabemos e bem sentimos. E este que acabou de chegar até é bissexto, vejam bem.

Porém, agora, com um governo novo, impensável mesmo no dia das eleições de 4 de Outubro, ressurgem algumas esperanças que algo de novo possa aparecer, sustentadamente, para bem de muitos e alguma desilusão para os fregueses habituais do neo-liberalismo. Mas as coisas não estão fáceis. O mundo anda completamente às avessas e nós não mandamos nada nessas coisas, mas sofremos as consequências.

Penso que seria bom reflectirmos nas palavras do Papa Francisco na sua mensagem de Ano Novo quando pede aos católicos que combatam a “torrente de miséria, injustiça e violência” no mundo e, recusem olhar com indiferença para aqueles que sofrem, em particular, “as hordas de homens, mulheres e crianças em fuga da guerra, da fome e da perseguição, dispostos a arriscar a vida simplesmente para encontrar um lugar onde os seus direitos fundamentais possam ser respeitados”.

Mas diz mais o Papa: “Perguntamo-nos por quanto tempo mais a maldade humana vai continuar a semear o ódio e a violência no nosso mundo e a colher tantas vítimas inocentes.” Ainda da sua primeira homilia de 2016, destaco ainda esta frase que devia deixar muita gente a pensar: “Precisamos de nos deixar renascer, e ultrapassar a indiferença que bloqueia a solidariedade, ou deixar para trás a falsa neutralidade que impede a partilha.”

Para se compreender melhor a forma insegura como hoje se vive, até no Vaticano, no acesso à Basílica de São Pedro, foi montado um apertado perímetro de segurança, com medidas reforçadas que incluíram detectores de metais e revistas para a entrada, o que demonstra alguma ironia à Celebração do Dia Mundial da Paz que a Igreja Católica assinala no primeiro dia de cada ano.

Mas afinal que mundo é este?

A insegurança é cada vez mais sentida em todo o lado porque os negócios escuros, do petróleo e das armas, para além de outros, são cada vez maiores e certamente fomentados por quem tem muito e quer ter sempre mais e mais.

Estamos de facto num Ano Novo, mas gostaríamos acima de tudo que fosse um Ano Bom. Gostaríamos de acreditar, mas não é fácil porque tudo está nas mãos de alguns homens, mas dependente da sua ganância, da sua desumanidade e da sua ambição sem limites.

Não podemos deixar de ter esperança, mas não podemos continuar a andar distraídos. Vamos ver o que o futuro nos reserva.

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