SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 19 Setembro 2020, 11:11

Cenas dos últimos dias… e o que o futuro nos reserva

Para espanto nacional, ou talvez não, Passos Coelho, no passado dia 1º de Maio, por enquanto Dia do Trabalhador, conquistado em tempos longínquos nos Estados Unidos, conseguiu insultar um país inteiro, quando ao inaugurar uma queijaria em Aguiar da Beira, decidiu elogiar o seu amigo Dias Loureiro ali presente na sua terra, aquele daquela família famosa do BPN, saudando-o de “uma forma muito amiga e especial ”como “empresário bem sucedido”, como exemplo para todos quantos “sabem que, se queremos vencer na vida, chegar longe, ter uma economia desenvolvida e pujante, temos que ser exigentes e metódicos” porque ele “viu muitas coisas por esse Mundo fora” e que “os ricos não são ricos a esbanjar dinheiro”.

Sobre Dias Loureiro havia muito a dizer para lembrar consciências adormecidas, mas não vale a pena. O buracão de muitos milhares de milhões de euros do banco do laranjal que foi o BPN, deve estar ainda na memória do povo português que está a pagar, com língua de palmo, todas as tropelias que, durante anos, aquela gente foi por ali cometendo. Melhor do que isto, só de encomenda…

Entretanto, para compor o ramalhete da flor de laranjeira, eis que surge nas bancas, uma encomenda própria para adormecer, a que foi dado o pomposo nome de “Somos o que escolhemos ser”. Trata-se de uma biografia autorizada de Passos Coelho, escrita por uma Assessora do Grupo Parlamentar do PSD, Sofia Aureliano, que fala de tudo e mais alguma coisa, muito por alto, engana-se em datas importantes, ataca Portas e Cavaco, tudo isto depois de ter assinado o acordo de coligação para as próximas eleições com o seu actual parceiro de governo e quando Cavaco estava em visita oficial à Noruega. Nada acontece por acaso. As críticas ao escrito, à sua oportunidade e ao seu desajustamento, de todo o lado, incluindo de gente da esfera do biografado, não se fizeram esperar. Grande encomenda… Acerca desta biografia autorizada, escreveu Vasco Pulido Valente no Público de 10 de Maio: “Numa biografia (Santo Deus) que envergonha as pedras? Não leu, ninguém lha mostrou? Não faria mal a Passos Coelho levar a sua profissão a sério”. Que dizer mais?

O que espanta é as pessoas continuarem quietas e caladas, como se estivessem mesmo condenadas, por uma justiça justa, a continuar a aturar todas as madurezas de pessoas que deveriam ser responsabilizadas não só por aquilo que fazem mas também por quilo que vão dizendo.

Apesar de algumas palavras meigas, próprias da campanha eleitoral que já mexe, não nos devemos deixar iludir com essas amostras de meiguices porque o que nos espera é bem diferente. A austeridade, com vistas á continuação do empobrecimento geral de quem trabalha ou quer trabalhar, vai continuar para que a concentração da riqueza possa continuar alegremente. Para confirmar esta ideia basta ler-se o SOL de 10 de Maio onde “O Banco de Portugal considera que a reforma laboral feita pelo Governo está inacabada e insiste em medidas que facilitem a vida às empresas durante os períodos de crise. No Boletim Económico de Primavera publicado esta quarta-feira, os técnicos do regulador estimam que 80% dos trabalhadores do sector privado tenham mantido o salário base inalterado durante a crise. Com maior flexibilidade para reduzir vencimentos, alega o BdP, o desemprego não seria tão elevado.” E isto vem do tal regulador que regulou o maior buraco de sempre deste país, o BES.

Por muito menos, mas também com toda a razão, quando este governo quis baixar a TSU às empresas e aumentá-la aos trabalhadores, em 15 de Setembro de 2012 mais de um milhão de pessoas saiu à rua. E nessa altura, perante tanta indignação, Passos Coelho recuou e durante anos nunca mais se ouviu falar nesse assunto que agora também volta a estar na baila, não só pelo governo como também pelo maior partido da oposição que também diz querer mexer na TSU. Se calhar é tempo de se parar para pensar. O Verão está à porta, dizem que vai ser quente pelo calor da época, pelos fogos que nos costumam apoquentar nessas alturas, mas também pode vir a ser ainda mais quente se as pessoas se souberem voltar a juntar para defender os seus interesses. O slogan em 2012 era “Que se lixe a troika”. Este ano como será? Além do mais até vamos ter eleições…

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