SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 1 Outubro 2020, 05:01

Morreu Alexandre Saldanha da Gama

 

O telefone tocou. Do outro lado da linha, uma voz embargada nos dava a notícia do falecimento, em Bruxelas (Bélgica), do Alexandre Saldanha da Gama, aos 75 anos e de doença prolongada. O dia 8 de Julho foi a data da sua partida.

 

É sempre um choque receber a notícia de que um Amigo nos deixou. Apesar da distância que nos separava, porque o Alexandre da Gama vivia em Bruxelas, há mais de 50 anos, sempre que fazia uma exposição dos seus trabalhos, fosse na Bélgica, em França ou em Portugal, nunca se esquecia de nos enviar o catálogo dessas exposições. Mas também de vez em quando recebíamos carta – sempre original na sua forma de escrever e numa linguagem dum artista que conhece o mundo – porque o Alexandre, aliás como nós, privilegiava a escrita como forma de comunicação e nos dava conta da sua forma de viver. Por vezes difícil, mas foi a opção que escolheu e foi feliz à sua maneira.

 

O Alexandre da Gama era um intelectual. Era um artista plástico multifacetado, porque escrevia poesia, pintava e fazia montagens que mereceram boas referências da crítica, lá fora como cá. Mas também teve outras actividades, como animador de publicações «Alternativas», em Bruxelas e em Paris.

 

Ainda estamos lembrados da exposição de colagens que veio fazer a Portugal, na galeria «Ler Devagar», em Lisboa, em Janeiro de 2000. E de uma outra em Bruxelas, na galeria «Cartigny», com o nome Arte-periférica, desenhos e colagens.

 

Pode-se mesmo dizer que o Alexandre da Gama era um artista dos mil ofícios, para poder sobreviver e viver a vida que sempre escolheu, livre de horários e de compromissos.

 

Tivemos pena de não lhe ter falado, quando esteve em Lisboa, mas a vida nem sempre nos permite fazer aquilo que gostaríamos. Todavia ficou-nos algumas boas recordações do Alexandre da Gama, quando em 1985 esteve em Torres Novas e nos permitiu um certo convívio no Jardim Municipal.

 

Este torrejano que agora nos deixou, nasceu no Porto das Bonitinhas, em Torres Novas. Da última vez que nos escreveu, enviou-nos um pequeno texto, do seu livro «Pastorinhas», que era para publicar. Era, sem dúvida, um inovador na sua forma literária de escrever.

 

Agora que partiu, só nos resta desejar-lhe que descanse em Paz e para a Família, particularmente o seu irmão José Carlos Saldanha da Gama, as nossas mais sentidas condolências.

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