SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 11 Julho 2020, 21:04

O Café

O café foi sempre um espaço de diálogo entre os torrejanos. Existe mesmo uma certa tradição que ainda hoje se mantem. No café encontramos amigos, os conhecidos e mesmo forasteiros que por ali passam. No fundo é um ponto de passagem obrigatória. Lê-se o Jornal, fala-se da vida, da saúde, de Torres Novas e mesmo da política quando calha. Fomos sempre um frequentador de café, ontem mais que hoje. Mas devemos dizer que muito aprendemos nos cafés, particularmente no saudoso e antigo Café Portugal, na rua Alexandre Herculano. Hoje, domingo, por exemplo tivemos a surpresa de encontrar no café um casal familiar e amigo a viver no Canadá há muitos e muitos anos. Pertencem à nossa geração, brincámos juntos em pequenos, vivemos algumas aventuras via campismo e em Peniche. Tantas coisas que havia para contar. O café também se tornou num espaço onde as pessoas se encontram para falar mais no telemóvel do que a dialogar sobre a vida. Por vezes assistimos a uma família toda a falar ao telemóvel destes mais modernos e que tem tudo, e até internet. Quanto a isto nada a fazer é a evolução tecnológica. Mas segundo o nosso familiar a viver no Canadá a evolução tecnológica está a ir depressa demais nas empresas e cada vez mais existindo mão-de-obra que não tem nada para fazer. E como vai ser no futuro, recebe o ordenado e não fazem nada? O homem possui uma energia que necessita de ser posta em prática. As sociedades têm que se preocupar com estes excedentes de mão-de-obra. As crianças quase que deixaram de brincar, porque não há tempo. Os pais falam mais no telemóvel e ignoram a importância do diálogo. Tudo isto está de acordo com a vida moderna de hoje. O progresso não se pode travar, mas sim deve-se aceitar como um fenómeno natural. Quem tem idade como nós se apercebe de toda esta evolução vertiginosa e sem qualquer comparação com o passado. Há 70 anos, quando íamos para a escola primária levava os livros numa mochila igual à dos jovens de hoje. Era uma mochila que o nosso Pai, que era marinheiro da Marinha Mercante nos trouxera dos Estados Unidos. Éramos o único aluno com uma sacola destas e por essa razão não nos sentíamos bem.

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