SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Setembro 2020, 10:53

O MUNDO EM QUE VIVEMOS

 

O mundo não anda bem encarreirado. Basta citar o Afeganistão onde os americanos pagam a exércitos privados de segurança para estes pagarem aos talibãs com dólares e armamento made in USA controlado pelo Pentágono, afim de os deixarem circular com o material necessário aos exércitos americanos, para combater os talibãs, para se verificar que anda a fazer uma grande falta aos dirigentes políticos mundiais o divã psicanalítico de Freud. Conversa de doidos? Morrem soldados nesses países, com balas e bombas vendidas pelos seus dirigentes. Os filmes de Rambo no seu maior despudor!

 

Enquanto os países do G 20 não tomam medidas, os seus especuladores financeiros, disfarçados de banqueiros, economistas e políticos, manipulam as economias, encostam os bancos à parede da bancarrota e as populações dos países do mundo ao salve-se quem puder do individualismo e da indiferença, ante a miséria e o sofrimento crescente de sociedades cada vez mais despojadas de defesas colectivas, cada vez mais entregues ao policiamento e controlo de grupos anónimos através dos chips dos seus automóveis, dos seus cartões de crédito, das suas fichas informáticas que integram sistemas de dados prontos para o que vier, enquanto criam contas secretas, mas gordas, em paraísos fiscais, à espera que o post-Dilúvio os coloque no lugar certo. Se não donos do poder absoluto, pelo menos primos e cunhados dos donos do poder absoluto.

 

Começa a esboroar-se no horizonte dos países desenvolvidos o conceito de democracia, a responsabilidade da cidadania, a importância do voto como elemento de soberania.

 

A insegurança social, a mensagem catastrofista dos governantes, a incapacidade partidária de mobilização das populações através de ideologias ultrapassadas pela ruptura das estruturas das sociedades contemporâneas, o despudor do enriquecimento fácil e a corrupção dos sistemas jurídico-policiais, o armamento crescente das forças paramilitares transformadas em guardas pretorianas do poder político, a teia partidária de gestores que controlam, supervisionam, usam arbitrariamente, a rede cada vez mais interligada da finança, tecnologia, informática, indústria, comércio, matérias primas, forças militares e militarizadas, tribunais, sistemas de finanças e estatísticos.

 

O Big Brother que o 1984 de George Orwell prenunciava: um único chefe, uma única realidade, um pensamento único, um destino único. Do nascimento à morte, a via da passividade, da obediência, do amor ao chefe, da impossibilidade absoluta dum caminho fora da sociedade organizada pelo poder absoluto. As guerras como forma de escape das sociedades e venda dos armamentos criados pelas elites das máfias militares instaladas nas estruturas do poder, a manutenção da guerra fria e dos «ódios ideológicos» como forma de amendoins que se dão aos macaquinhos que somos no jardim zoológico onde nos entretêm com lavagens diárias de estupidez cerebral, para que aplaudamos a desigualdade, aceitemos as telenovelas, os concursos, a idiotia futebolística, como injecções de anti-depressivos que nos transformam em simples mercadoria sem preço garantido no mercado da exploração da humanidade, a babarmo-nos de senilidade precoce ante o desemprego, as novas vigarices de oportunidades, a miséria escondida que cada vez mais se espraia como um súbito e terrível maremoto.

 

Há qualquer coisa que nos não dizem, qualquer coisa que se avoluma no horizonte deste século, que se prometia como o século da felicidade humana, mas que começa a despertar o desencanto antes os políticos e as políticas que governam a desigualdade mundial, que nos obriga a olhar o desencanto com que os jovens encaram o seu presente, desconfiados do seu futuro; que nos enraivece ao ver-se perder escassos direitos adquiridos após muita luta e sofrimento, na educação, na saúde, na segurança social, a troco dum liberalismo assente numa nova escravatura, a da venda da dignidade, da honra, do bom nome, pelo cartão da estabilidade dum emprego que a venda do voto ao caciquismo renascido possibilita, ainda que de forma transitória.

A igualdade nunca passou dum mito.  Gerou revoluções pela igualdade e sufocou as liberdades que surgiam a denunciar as desigualdades que daí emergiam.

 

Foram sempre os filhos da gente d’algo, que ao longo dos séculos, se sucederam nos cargos do poder. As democracias ocidentais trouxeram uma mensagem de esperança – haveria o direito à igualdade, ainda que ninguém nascesse igual. Mas ficava a esperança de se conseguir a ascensão, pelo trabalho, pelo estudo, a inteligência génio. Conversa fiada, onde as excepções destoam da regra…

 

Veja-se se os filhos dos do poder se encontram desempregados! Veja-se  em que escolas estudaram! Em que cargos são instalados, após os seus cursos, que a riqueza adquirida, permitiu seguirem nas universidades mais célebres do planeta. Em que departamentos são colocados, convidados, por serem filhos de . Corra-se o poder central, regional, distrital, local, dos países contemporâneos, independente das ideologias. Confira-se. Onde estão os teus filhos, José; e os teus, Maria?, de todas as pátrias? Que os espera, se se deixarem continuar a serem os filhos do Big Brother?É este o mundo que os espera?

 

Um manicómio do tamanho da ambição dos poderes, que, secretos, públicos,múltiplos, qual hidra de mil faces, nos esterilizam e manipulam, desumanizam e envilecem. Passamos, com bandeirinhas e vovuzelas, de seres humanos a  zombies consumistas, e ainda batemos palmas.

 

antoniomario45@gmail.com

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