SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 26 Setembro 2020, 19:36

Asfixia Democrática?

 

Algo de muito estranho se passa na informação portuguesa. Em pouco tempo, desapareceu da TVI o sexta-feira informação de Manuela Moura Guedes. Na semana que passou o Diário de Notícias publica um documento privado dum jornal rival, O Público, sem que esse periódico soubesse previamente de que aquele e-mail reservado fora desviado sem autorização dos responsáveis daquele diário. Também não há nenhuma inocência na publicação, pelo mesmo D. N., duma entrevista de seis páginas do ainda primeiro-ministro e candidato socialista José Sócrates, no domingo anterior ao do das eleições. A opção desse diário percebe-se. Há mais leitores, mais tempo para ler. Há países em que é normal os media escritos e televisivos terem os seus próprios candidatos. Eu sei por que deixei de comprar – mas leio-o – o Diário de Notícias, desde que o actual director passou do Correio da Manhã para este jornal. Desde o fascismo, o D.N. sempre foi uma voz do poder político dominante. Não mudou muito, trinta anos depois, ainda que em democracia é mais fácil dar o dito por não dito. O ataque desferido traiçoeiramente por este sobre O Público, em plena campanha eleitoral, colocando a Presidência da República em cheque, é significativo do que, hoje, se vai denunciando como asfixia democrática. O ataque ao semanário O Público ultrapassa o conceito de rivalidade entre os dois órgãos de informação considerados mais influentes na opinião pública. Entra no domínio de deontologia, da dignidade jornalística, da manipulação da informação para um determinado fim político. E não pode deixar de ser associado ao silenciamento de Manuela Moura Guedes na TVI. Pelo menos, fica no ar uma questão essencial: quem ganha com isto? Dir-se-á que, se o poder ministerial estivesse por detrás disto, só perderia, porque era óbvio que o feitiço se viraria contra o feiticeiro. O que é um facto é que desapareceram dos media os casos que incomodavam o primeiro-ministro. A uniformização das notícias obedece ao esquema do politicamente correcto, que servem a quem está por detrás delas, não à opinião pública. Um estudo recente mostra como só uma pequena parte da informação divulgada é de pesquisa jornalística, a maioria é proveniente dos gabinetes de informação que existem em tudo quanto influencia e determina os caminhos da sociedade portuguesa. Mas o que é um facto é que a presidência da república, ao não esclarecer as dúvidas colocadas, mesmo neste momento eleitoral, não fica com uma imagem muito favorecida.

 

Daí que, nesta campanha eleitoral, o céptico que sou só tenha seguido com algum interesse as entrevistas do programa dos Gatos Fedorentos com os principais actores políticos. Conhecendo as questões de antemão, como já vi escrito, mesmo assim os candidatos vêem-se colocados ante o contraditório das suas propostas, por posições que tomaram publicamente. Diz-se que pela boca morre o peixe. O programa dos Gatos Fedorentos veio demonstrar a quem tinha ainda dúvidas, que os políticos que temos são ele e o seu contrário, por muito puros e isentos que pretendam ser. Só o peixe morre pela boca. Os políticos, pelo contrário, engordam. E nenhum, ao que saiba, ficou de cócoras.

 

A democracia portuguesa não está bem. Mas isso é outra realidade, que, se preocupa a maioria da população portuguesa, desapareceu do que nos chega da participação eleitoralista dos candidatos pelos media.

 

Com 10% de analfabetos, trinta e tal por cento de iliteracia, percebe-se como a educação foi empurrada, neste país,nestes quatro anos, por um caminho em que o facilitismo, ao lado da indisciplina, e do directivismo arbitrário e antidemocrático da gestão escolar, ficam como a medalha de marca da política socialista. Cada vez se chega mais alto com maior ignorância. Não é por acaso que o ensino secundário conduz quase directamente às caixas dos grandes centros comerciais com recibo verde e trabalho precário. E exista ele…

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